por Aurineide Monteiro
O poeta de Ode aos Deuses trouxe para a língua portuguesa e para arte literária paraibana, principalmente, uma inovação no que diz respeito ao verso (versos aliterativos). Poetas brasileiros como Augusto dos Anjos e Cruz e Souza usaram muito a aliteração, mas não de forma fixa para metrificar o verso, como neste caso. O autor, ao escrever a obra foi muito mais além nesta inovação, radicalizando e contestando as normas da língua culta. Ode aos Deuses tem um caráter singular, única entre as obras que já li, pois, sem numeração de páginas sem pontuação e sem biografia do autor, desperta ainda mais o interesse e a curiosidade do leitor em saber quem é este que escreve o que pensa e o que sente, como se não tivesse nenhuma preocupação no que sua obra possa causar aos leitores.
Seus versos aliterativos chamam a atenção, deixam a obra, apesar de polêmica, degustante e atraente. O poeta foi muito feliz nesta inovação dos versos, porém imaturo ou talvez um protestante das normas da língua. Dotado de um vocabulário invejável em um único poema de quase cem páginas. Sim, um poema longo com rimas aleatórias, contrapondo à poesia contemporânea, que em geral é curta e em versos livres e brancos. Marcante pela objetividade e concretismo.
Ode aos Deuses traz em sua temática, pensamentos e sentimentos sobre dogmas e rituais religiosos. E com isto impulsiona seus leitores para uma reflexão sobre a vida e sobre a arte contemporânea. O autor também deixa transparecer em seus versos, sua crença ateísta, pois, sua existência é uma dádiva da ciência humana, como ele próprio afirma em seu verso: “Eu sou o profeta prático sem pátria e sem fé”. Nesta Obra se pode notar uma forte presença de misticismo, deuses e divindades que povoam o mundo da mitologia em conjunto com a ciência numa harmonia perfeita. O poeta ateu que acredita na poesia como o instinto mais íntimo do ser, de legitimar as línguas e as linguagens defendidas pelos linguistas. Para o poeta que acredita na poesia como expressão maior da literatura, diz em seus versos: “a poesia é piração e pretensiosa cura cerebral acupuntura pro artista ateu... eu deliro de luxúria na literária lira.” Concordo com o poeta. A literatura sem a poesia é uma arte morta. Essa obra, no entanto, não veio para todos, pois, sua linguagem e sua temática requerem estudo e análise mais profundos.
Joedson Adriano procurou ser bem original ao escrever seu poema “Ode aos Deuses”, deixando uma valiosa presença poética na literatura paraibana, que mais tarde certamente, entrará para o grupo dos grandes poetas. Vale salientar também, que seus versos são únicos, específicos do poeta. Se não estou equivocada, o autor não se espelhou em nenhum escritor, mas sim criou seu próprio estilo, colocando em sua arte, características Agostiniana, Crussouziana e Camoniana que mais se identifica com o seu perfil poético, como pude observar na sua segunda obra “Ode aos Homens” publicada no ano de dois mil e dez.