Guilherme Fiuza já tinha mostrado a que veio no best seller " Meu Nome não é Johnny". Porém, a história do rapaz de classe média que se torna um barão do mundo das drogas era por si só sensacional, ou seja, o trabalho do autor (brilhante) foi facilitado pela força da narrativa. Em " 3000 dias no Bunker", Fiuza parte de um assunto um tanto quanto árduo para a maioria dos leitores : as peripécias da equipe que travou a longa batalha pela estabilização econômica do país, culminando com a criação do Real, em 1994. Aqui sim, sem a sedução de uma história cinematográfica à mão, o autor revela toda a sua habilidade em costurar uma boa narrativa, trazendo à luz o dilemas técnicos e políticos que assolaram aquele grupo em sua longa batalha monetária. Pedro Malan, Pérsio Arida, Pedro Parente, Sérgio Besserman e, principalmente, Gustavo Franco, nomes constantes do elenco fixo das hard news do governo FHC, ressurgem aqui em sua dimensão humana, despidos de números , gráficos e tabelas, e cimentando um livro que se torna essencial para se compreender o período.