Meu primeiro Bolaño. Logo, vamos ter paciência.
Um misto de enciclopédia biográfica, contos, romances. Essas denominações se enquadram muito bem no caso de A Literatura nazista na América, de Roberto Bolaño. Uma reunião de vidas inventadas, mas espelho do real, de pessoas que viveram e vivem nas ruas dos grandes centros do Novo Mundo. As personalidades biografas são literatos que flertaram com o nazismo e outros modos políticos e literários. A narrativa das vidas por vezes me enganava, sentia que aquelas pessoas existiram de fato.
A família que abre a coletânea, os Mendiluce, são os grandes mecenas da Argentina no século XX e ajudam alguns dos literatos da coletânea. A matriarca, Edelmira, conhece, conversa e tira uma foto com Adolfo Hitler. Tal registro é elemento marcante na vida da filha, Luz Mendiluce.
Encontramos dois brasileiros: um filosofo escritor de extensos livros que vive em sanatórios quase toda a vida e um terrorista viciado em Rubem Fonseca. Vejam as peças boas(rs)
Há toques de contos em algumas biografias. Destaco para esse caso a biografia de Irma Carrasco e de Luz Mendiluce, com pontos que vão além do gênero biográfico.
O último relato é um dos mais extensos da coletânea. Um colega de skoob disse que é um protagonista de outro livro do autor. Mandei parar com os spoiler (rs)