Enciclopédia dos craques - Fichas completas de 1.632 jogadores de futebol do Brasil e do mundo, volume 2, de L a Z

    Marcelo Duarte, Mário Mendes

    Panda Books
    2010
    325 páginas
    10h 50m
    ISBN-13: 9788578880859
    Português Brasileiro

    Em que cidade nasceu aquele craque do seu clube? Qual é a data de nascimento, o time em que ele começou, todos os títulos que conquistou? Embora o número de livros sobre futebol tenha aumentado nos últimos anos, ainda falta informação sobre atletas. Os grandes ídolos ganham biografias e os demais são esquecidos. Os clubes não tomam conta de seus arquivos, as histórias dos jogadores são deixadas de lado quando eles saem dos grandes centros e os pequenos pesquisadores não têm oportunidade de divulgar seus trabalhos. Por isso, os loucos por futebol Marcelo Duarte e Mário Mendes se uniram para realizar uma pesquisa inédita no jornalista esportivo. Confira nesta enciclopédia a ficha de 1.632 craques do futebol mundial: os times em que jogou, os títulos conquistados, os gols, histórias da carreira e dos bastidores futebolísticos e muito mais. Tudo o que você sempre quis saber dos ídolos que fizeram história – e dos craques que ainda prometem grandes feitos nesse esporte que é paixão nacional.

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    Luis Eduardo Souza Costa picture
    Luis Eduardo Souza Costa12/06/2016Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Craques, esforçados, perebas e outros bichos.

    Assim como a sociedade, o futebol se transforma e reflete os costumes e valores de seu tempo. Da mesma forma, toda a terminologia que cerca o velho esporte também se modifica ao bel prazer das tendências da “moda” : o passe se transforma em assistência; os comentários se debruçam sobre estatísticas ao invés de dribles; a habilidade é secundária em relação ao porte físico e, talvez o mais emblemático, a noção do que é ou de quem é craque, se dilui imensamente. “Enciclopédia dos Craques” (2010, Panda Books) é uma boa iniciativa das muitas que vem povoando o antes desértico terreno da historiografia do futebol. Uma tarefa hercúlea, levada a cabo pelo “louco por futebol” Marcelo Duarte, apresentador da ESPN e também editor da Panda Books, e Mário Mendes, jornalista esportivo de São Paulo. Separada em dois volumes caprichosamente organizados em uma bela caixa, a obra reforça a visão de que nos tempos atuais, há uma banalização do craque. A palavra, antes destinada somente a fora de séries, hoje no máximo é um lugar comum aplicado quase que indistintamente. Para começar, há o próprio gigantismo dos livros : São 1632 jogadores do Brasil e do mundo perfilados em quase 700 páginas no total, sendo o primeiro volume dividido de A a K, e o segundo de L em diante. Pela própria natureza do esporte, no máximo 300 dessa multidão podem de fato aspirar à condição destacada no título. Outra armadilha do livro, embora o fato seja inerente à enciclopédias de qualquer natureza, é que não é preciso avançar muito na leitura para perceber certas distorções que, a depender da crença do leitor, e o futebol é o terreno próprio delas, podem irritar profundamente ou no máximo levar a um mero sorriso de ironia. O meia Carlos Alberto, que foi campeão pelo Corinthians, teve destaque no Fluminense, fez sucesso no Porto e atualmente, quando escrevo essas linhas (junho de 2016), bate ponto no Figueirense, tem mais espaço do que o seu xará, o muito mais nobre, Carlos Alberto Torres, para muitos o maior lateral direito que o país já produziu e o último a levantar a Jules Rimet. A que foi derretida. Não há critério que justifique isso. As controvérsias seguem com a inclusão de figuras que no máximo contribuíram para aumentar o folclore em torno do esporte, como o atacante Obina (aquele que era melhor que o Eto`o), Fio Maravilha (o da música, que acabou burramente processando Jorge Ben Jor pela homenagem), Odvan (zagueiro de poucos recursos, mais lembrado pela citação à música do Roberto Carlos) e Amaral (que tomou um drible humilhante de Romário, mas provou que o amor é lindo, ao se casar com uma modelo da Ford, que nas CNTP provavelmente nem chegaria perto dele...) Também é difícil entender alguns verbetes, como por exemplo, o do italiano Ambrosini, assim descrito : “Volante limitado. Costuma cometer muitas faltas e errar vários passes.” Diante disso, ele poderia ser perfilado em qualquer lugar, menos em uma Enciclopédia de craques. Apesar desses tropeços, de fato não faltam verdadeiros espécimes daqueles gênios que têm o dom de dialogar com a bola como uma verdadeira extensão de seu próprio corpo. Como não poderia deixar de ser, estão lá Ademir da Guia, Barbosa, Rivellino, Tostão, Nilton Santos, Djalma Santos, Gylmar, Jairzinho, Gérson, Socrátes, Júnior, Maradona, Messi e tantos outros...Ah, claro, tem uns tais de Garrincha, Zico, Pelé e Romário. Esse último, dono do maior verbete do livro. Se o futebol é o terreno do imponderável e uma “caixinha de surpresas”, os dois volumes de “Enciclopédia dos craques” não deixam a desejar ao proporcionar uma boa gama de informações que vão auxiliar os jornalistas e historiadores do esporte, bem como alimentar as intermináveis resenhas de torcedores, movidos a aperitivos variados nos botecos de todo o Brasil. Afinal, Obina é melhor que Eto´o.

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