O Cinema de Amanhã -

    CBC, CBDC

    Fundação Ford
    2008
    164 páginas
    5h 28m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
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    Uiny Manaia picture
    Uiny Manaia26/02/2022Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Proposta muito boa, execução nem tanto!

    Esse livro fala de reformulações e demandas do setor audiovisual através de uma exposição do panorama do setor e das iniciativas exploradas àquela época, como Brazucah, cineclubes, festivais, etc., para disseminação do audiovisual no Brasil. São artigos expositores e críticos das políticas empregadas àquela altura, contudo os dados são muito antigos (2006-2008). De modo geral, fica nítido o foco no eixo RJ-SP apesar das tentativas dos autores de trazer sempre dados com todos os Estados que possuem determinadas ações. Análise minuciosamente os artigos por se tratar de um livro sugerido para discussão num grupo de estudo. Acredito que houveram alguns equívocos de revisão e, ouso até opinar, de seleção de artigos. Alguns me pareceram completamente perdidos e apenas cheios de tabelas que não traziam muitas informações práticas. Além disso, faltou um fechamento para o livro, sendo o último artigo uma prestação de contas de um programa que não foi citado em nenhum dos artigos a não ser nele mesmo. Acredito que caberia uma atualização das discussões serem compiladas em livro novamente. Gostaria de saber a visão da Solange quanto ao cinema atualmente (dado que virou artigo de luxo pelo seu preço, um ponto que ela já achava sensível mais de 10 anos atrás), saber como os autores vêm o cinema X streamings, entre outras questões muito relevantes para o setor. 1.O novo Cenário Audiovisual - Geraldo Moraes Nesse primeiro artigo o autor mostra a falta de distribuição das obras nacionais em nosso próprio território. Além disso, trabalha muito o que em 2006/2007 era visto como evolução. Interessante ver que o autor classificou a concorrência da televisão e a violência urbana como principais fatores para esvaziamento dos cinemas e diminuição das salas - Imagina em 2022 com os streamings em alta! Outro ponto que me chamou a atenção foi a boa definição da formação desse mercado, o surgimento dos multiplex como inovações para evitar a perda de público, a legitimação de que o acesso às obras precisava ser popularizado e a pirataria estava cumprindo esse papel, etc. Destaque para menção do quanto o cinema nigeriano era bem visto nessa época. Acredito que não conheço nenhum filme ainda 2.As Características Gerais do Mercado Audiovisual: Uma Análise Preliminar pela Óptica da Demanda - Alfredo Bertini O segundo artigo traz uma visão bem econômica sobre o mercado audiovisual, com análises sobre oferta e demanda. Vale destacar que esse livro é uma obra de 2008 e seus textos foram produzidos entre 2006/2007, ou seja, muita coisa aqui está datada e ultrapassada. Mas é interessante ver que antes do streamings já se discutia o consumo de audiência audiovisual como atividade de lazer ou atividade cultural. Um ponto negativo deste artigo foi o excesso de notas de rodapé, muito cansativo. Além disso, na primeira nota é mencionado que esse artigo faz parte de outro livro e acredito que isso prejudicou um pouco a construção dele dentro desta obra, pois vários pontos ele fala “como já visto nos artigo” “como já mencionado” “como já estudado”, coisas que não foram debatidas ainda. 3.A Produção Independente no Cinema Brasileiro - Solange Lima O terceiro artigo é até agora o que mais se aproxima da realidade que vivemos e discute temas extremamente atuais. A Solange traz um reconhecimento muito importante do trabalho em equipe e importância da valorização de cada etapa envolvida nas produções. Além disso, a autora fala muito sobre a acessibilidade às produções, expõe o quanto o brasileiro é afastado de sua própria produção através de estratégias de propagação falhas. Me chamou atenção ela destacando o quanto era inviável um cinema de dezesseis reais e somando os outros custos envolvidos neste lazer, imagina o que ela deve estar pensando em 2022 com cinema custando praticamente quarenta? "O lugar em que o cinema nacional não consegue espaço é nos shoppings, é na televisão, e por que?" "Não se faz filme para o próprio umbigo, se faz para contar uma história, para que pessoas possam ver; estas histórias poderão ser transformadoras ou não, provocarão reflexão ou náusea”. 4.O Modelo Brasileiro: um estrangeiro em nossas telas - Felipe Macedo Neste quarto artigo o autor traz uma ótima contextualização da colonização do cinema brasileiro e do modelo econômico que rege o setor. Fala sobre a perda de identidade e espaços, além da rotularizacao e estereótipos que passaram a permear o cinema. “O cinema deixou de ser divertimento popular, passou a ser entretenimento para as elites, concentradas em algumas grandes praças” “O cinema não se resume à sua forma e formato de produto tecnológico. É antes de tudo, uma forma de expressão e uma linguagem criada para interação entre os seres humanos. É essa troca de conhecimentos, sentimentos, emoções, sustenta uma relação cultural e social que tampouco se limita a tecnologias, mas sobretudo a utiliza, adapta, para evoluir” 5.A programadora Brasil - Frederico Cardoso e Caio Cesaro Este artigo trata do modelo de difusão do audiovisual no país, tema amplamente abordados pelos estudiosos desse livro como crítico para manutenção e evolução do setor. A programadora Brasil é “uma iniciativa de disponibilização de filmes e vídeos para pontos de exibição (escolas, universidades, cineclubes, centros culturais, pontos de cultura) de circuitos não-comerciais para promover o encontro do público com o cinema brasileiro”. 6.Festivais Brasileiros de Cinema: sua importância cultural, social e econômica - Antônio Leal Este artigo busca realizar uma sistematização das informações do setor audiovisual. Possui um foco no fórum dos festivais, com contextualização histórica e dados quantitativos do crescimento. Mostra-se que os festivais audiovisuais são um poderoso agente econômico, sendo vitrine de curtas e longas nacionais. Foi a primeira vez que o termo “indústrias criativas” apareceu neste livro (forma como estudei esse tema esses anos). 7.Cineclubes: uma rede em defesa dos Direitos do Público - João Baptista Pimentel Neto “Cineclubes são entidades sem fins lucrativos cuja existência, desenvolvimentos e manutenção dependem de ações coletivas”. Traz ideias de exibições alternativas e o autor aborda de forma ampla o direito do público, a formação e aumentos dos cineclubes. “O público tem direito a uma informação correta. Pois isso, repele qualquer tipo de censura ou manipulação, e se organizará para fazer respeitar em todos os meios de comunicação, a pluralidade de opiniões como expressão do respeito aos interesses do público e a seu enriquecimento cultural”. 8.Criação de Circuitos Alternativos de Exibição e Redes de Difusão do Cinema Brasileiro: a experiência da BRAZUCAH - Camila Nunes et al. “Somente quando a parceria cinema-público acontece - fato que acontece notoriamente no cinema norte-americano - a instituição cinema consegue atingir sua eficácia social”. Outro artigo focado nas ações que vinham sendo realizadas à época da concepção do livro. 9.A Hora e a Vez do Paraná - Guto Pasko Muito interessante a visão de 4Ps do marketing aplicada na estratégia cinematográfica do Paraná através da segmentação de divulgação e praça para o filme Made in Ucrânia. O autor defende uma ideia muito conhecida por estudiosos de estratégia, que é o direcionamento da demanda: “defendo a ideia que os cineastas precisam pensar os nichos de mercado para seus filmes antes e não depois do filme estar produzido”. 10.Amazônia Imaginária - Emanoel Freitas Este último artigo é praticamente uma prestação de contas do que é realizado pelo programa Amazônia Imaginária, com uma breve apresentação no início. Completamente dispensável para o livro.

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