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    Primavera num espelho partido -

    Mario Benedetti

    Objetiva; Selo Alfaguara
    2009
    218 páginas
    7h 16m
    ISBN-13: 9788560281725
    Português Brasileiro
    3.9
    1839 avaliações
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    A história central de Primavera num espelho partido, do uruguaio Mario Benedetti - um dos escritores mais importantes da América Latina - gira em torno de Santiago, personagem condenado ao exílio interior numa prisão de seu próprio país, por ter participado da guerrilha urbana durante o período da ditadura militar no Uruguai, imposta de 1973 a 1985. Já sua mulher Graciela é obrigada a se mudar para a Argentina com Beatriz, sua filha pequena, e dom Rafael, seu sogro, para reconstruir a vida. Para o marido, detido em sua cela, é como se o tempo tivesse parado. No romance, Benedetti aborda de maneira bastante original a temática da opressão e do exílio coletivo dos uruguaios. Sendo ele próprio também um exilado, adota um modo de observação pouco comum, ao intercalar vozes narrativas distintas ao longo do texto. Essas vozes se sucedem, se somam, cedem passagem umas às outras, organizando um mosaico de impressões e sentimentos. Santiago é um homem sofisticado, acima de tudo boa gente, que conhecia botânica, marxismo, filatelia, poesia de vanguarda e, além disso, (...) um arquivo vivo da história do futebol. Detido pela ditadura uruguaia por suas posições políticas, durante os cinco anos de prisão se comunica com a mulher apenas por cartas esporádicas. Ele vive num tempo estático, onde nada de novo acontece. Na cela, passa e repassa as lembranças familiares como forma de se manter são. Já Graciela precisa seguir em frente. Trabalha numa empresa como secretária e procura recompor sua vida com Beatriz. Ao contrário do marido, ela cai em uma rotina de mudanças constantes, em que mesmo o seu amor por Santiago, que ambos consideravam imutável, poderá ser afetado. Ao entrelaçar as vozes dos personagens - inclusive a sua própria, ao falar sobre os amargos anos de exílio pelos quais passou -,o autor escreve um livro surpreendente sobre as contradições humanas e as escolhas de cada um. Como exilado, o desejo de voltar ao seu país sempre esteve presente em Benedetti. Em Palma de Mallorca, em 1980, ao receber a notícia do resultado favorável de um plebiscito decisivo para o fim da ditadura, ele havia agendado sua volta ao Uruguai. Um tempo depois, em 18 de abril de 1983, prevê, em artigo, publicado no jornal El País de Madri, a necessidade da criação de uma nova palavra para dar conta desse desejo de volta inerente ao exílio: "Quando o dicionário nega a palavra que necessitamos, sinceramente temos que inventá-la... Mais de uma vez pratiquei esse exercício verbal, no entanto, nenhuma de minhas palavras inventadas tiveram tão boa sorte como desexílio."

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    Márcia Regina Schwertner picture
    Márcia Regina Schwertner30/08/2009Resenhou um livro
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    "Primavera num espelho partido", de Mário Benedetti. Recomendo. Uma ressalva: se você tiver birra com leitura claramente de esquerda, podes te incomodar, mesmo que o foco humano seja básico no texto. Digo isso porque ainda que não seja militante de esquerda, tenho birra e acabo perdendo a noção literária e abandonando livros quando seguem uma linha claramente de direita. Assim, informação número um: o livro tem um matiz militante. Sem dúvida, mas construído de forma que essa militância ocorra lado a lado com os conflitos pessoais. Não poderia ser diferente. O que se retrata é um período de ditadura militar, a separação familiar e afetiva decorrente da prisão e do exílio. Informação nº dois: o livro tem um matiz psicológico e profundamente humano. Santiago, Graciela, Beatriz e Dom Rafael abrem-se para nós, mostrando medos, vivências, coragens, fraquezas, sustos, tristezas, descobertas, alegrias. Confesso que gostei demais de Dom Rafael. Mario Benedetti colocou a relação dele com o filho de maneira realista, mesclando na dose certa o distanciamento provocado pela separação não apenas física, mas ideológica e temporal, e a proximidade provocada pelo carinho, pela lealdade, pela capacidade de compreender e perdoar... Lindo.

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    Mario Benedetti

    Mario Benedetti (Paso de los Toros, 14 de setembro de 1920 — Montevidéu, 17 de maio de 2009) foi um poeta, escritor e ensaísta uruguaio. Integrante da Geração de 45, a qual pertencem também Idea Vilariño e Juan Carlos Onetti, entre outros. Considerado um dos principais autores uruguaios, ele iniciou a carreira literária em 1949 e ficou famoso em 1956, ao publicar "Poemas de Oficina", uma de suas obras mais conhecidas. Benedetti escreveu mais de 80 livros de poesia, romances, contos e ensaios, assim como roteiros para cinema. Dentre as diversas honrarias que recebeu destacam-se o Prêmio do Ministerio de Instrução Pública (1949) conquistado em função de sua primeira compilação de contos, Esta Mañana; Prêmio Jristo Botev da Bulgaria (1986) pelo conjunto de sua obra; o Prêmio Ibero-americano José Martí (2001); e o Prêmio Internacional Menéndez Pelayo (2005) que é dado em reconhecimento ao esforço de personalidades em âmbito artístico e científico em prol dos idiomas ibéricos.

    56 Livros
    175 Seguidores

    Mario Benedetti