Há um saber que os dicionários guardam. Girândolas: “círculos ou travessões onde são colocados fogos de artifício que, depois de acesos, sobem e estouram ao mesmo tempo”. Esse é um saber, um olhar. Entretanto não foi sobre essas Girândolas que uma história veio à luz. Para os nossos olhos e para a ternura de um mundo, Girândolas são aquelas cruzes de braço duplo nas quais os artesãos de Abaetetuba fincam o universo belíssimo dos brinquedos de miriti. Girândolas que vemos suspensas e andantes pelo mar de gente durante a época do Círio de Nossa Senhora de Nazaré. Para contar essa história foi preciso andar pela “rua do rio” das nossas vidas, que vai-e-vem de Belém até Abaetetuba. Uma Abaeté iluminada por sua gente, por suas várias lutas, muito trabalho e sempre esperança; uma Belém das Mangueiras que se entrelaçam no céu e se escrevem túnel à guisa de um telhado verde de águas, uma Belém erguida pelas pessoas e por seus sonhos. Para contar essa história foi preciso reescrever o verbo Amar dos amores que não se cumprem, mas que nos fazem viver. Tobias e Maria. Ele, fazedor de brinquedos de miriti. Ela, benzedeira, que sabe dos segredos das formigas de chuva. Para contar essa história foi preciso olhar para o rio. Ouvir as águas, as suas gentes. Viver uma preamar. Em algum instante, em algum lugar, estava escrito: ser o rio é ir ao encontro. Daniel Leite
