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    Madeira de lei -

    Camilo José Cela

    Bertrand Brasil
    2001
    252 páginas
    8h 24m
    ISBN-10: 8528608182
    Português Brasileiro
    3.1
    5 avaliações
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    Favoritos0Desejados12Avaliaram5

    'Madeira de Lei' situa o leitor naquele lugar que os romanos consideravam como o fim do mundo, o Finis Terrae, e desse ponto extremo Camilo José Cela dirige seu olhar de mestre para a fronteira marítima da Galícia, convertendo-se em um pontual e exato notário da capacidade destrutiva da Costa da Morte. Registra os naufrágios, praticando sua prosa magnífica e sempre inovadora, o autor leva o leitor a uma viagem através de uma Galícia que nasce na alma e vive na alma; uma viagem salpicada pela tinta verde da luxúria e sempre passada pelo filtro do humor.

    Resenhas (1)Ver mais
    Aguinaldo Medici Severino picture
    Aguinaldo Medici Severino19/12/2011Resenhou um livro
    3 (Bom)

    madeira de lei

    Boj é buxo, uma árvore européia aparentada ao pau-brasil. Começei a ler este estranho livro por conta de um comentário de Don Paco Batallán sobre os galegos Camilo José Cela e Ramón del Valle-Inclán serem únicos grandes escritores espanhóis dignos de lembrança após Cervantes. Conceito radical e absoluto como ele mesmo. Grande sujeito. Isto ficou imerso no mar de minhas lembranças daquele almoço monumental em Cantoblanco com Paco e Manolo. Paco e eu escolhemos "Migas" (de primeiro, como se diz por lá) e ele ficou a explicar-me a origem deste prato extremeño e daí passou a falar o oeste da Espanha e sobre a Galícia. "Felipe II deveria ter feito de Lisboa sua capital e assim todos falariam espanhol lá também, talvez até no Brasil, mas ele tinha um problema com o mar, o pobre!". Grande Paco. De volta, passei na CESMA noutro dia e vi este livro exposto no mostrador. A capa é horrível, ao menos para o meu gosto e isto foi mas o que me chamou a atenção. Quando vi que o livro era do Cela resolvi comprar e logo começei a ler (as associações são sempre livres afinal de contas). É mesmo um livro estranho. Lembra um tanto o Grande Sertão: Veredas do Rosa pois há um narrador (o própria Cela ficamos sabendo) que conta de um só fôlego causos e mais causos do mar da Galícia. O ouvinte vez por outra faz um comentário, uma pergunta, mas nada que impeça o narrador de continuar sua longa arenga. Os temas da histórias são variados, mas relacionados a Finis Terrae, o ponto final do mundo na visão romana, ou seja, a forma como os romanos chamavam o extremo ocidental da península ibérica. Crenças populares, mitos, históricas de paixões e lutas, descrições da rica e variada história da região, lendas, frases feitas, lembranças do próprio Cela, puras invenções. Elas são unidas, de capa a capa, pela descrição de centenas de naufrágios que ocorreram nas proximidades do recortado mar galego. O mar ali é sempre encarpelado, rústico, cobrindo levemente baixios cheios de rochas prontas a ceifar um navio incauto. A recorrente compilação dos naufrágios quantifica os mortos, desaparecidos, sobreviventes de cada navio, cada um com uma bandeira diferente. No início os nomes dos navios e suas curtas mas fatais histórias incomodam um tanto, mas aos poucos entamos no ritmo, como quando estranhamos o balanço de um barco quando ele se põe ao mar. Cela inclui uma série de maneirismos e frases típicas da Galícia, sua mitologia particular. Há histórias deliciosas, como a do sujeito que ficou caolho após ter se comportado mal durante uma missa, ou a descrição das bençãos de Santa Casilda, a escolha curiosa que um grupo de marinheiros fez quando tentam salvar cabras e putas de um naufrágio. Na introdução do livro é dito que a versão original do livro (um dos últimos que escreveu) foi traduzida para o castelhano com um apêndice de 70 páginas explicando os termos galegos, mas que para nós brasileiros isto não se fazia necessário, tamanha a similaridade entre as duas línguas. Bom, não estou tão convencido assim, um dia vou procurar o livro espanhol para comparar. Belo livro mas preciso voltar ao quarteto do Durrell de uma vez e terminá-lo. Vamos a ver... "Madeira de lei", Camilo José Cela, tradução de Mário Pontes, editora Bertrand Brasil, 1a. edição (2001) ISBN: 85-286-0818-2

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    Camilo José Cela

    Começou o curso de Medicina na Universidade Complutense e assistiu a algumas aulas de Filosofia e Letras na Universidade de Madrid. Lutou na Guerra Civil, integrado no exército nacionalista de Franco, até que foi ferido por uma granada errante, tendo aí terminado a sua vida militar. Uma vez finda a guerra, dedicou-se ao jornalismo e ocupou vários empregos de carácter essencialmente burocrático, entre os quais o de censurador, que mais tarde o faria ser bastante criticado. Em 1944 casou com Rosario Conde Picavea, com quem teve um filho, Camilo José Cela Conde, nascido em 1946. No meio de um panorama caracterizado pela abundância de romances de escassa capacidade renovadora, em 1942 se produz um acontecimento de singular importância literária: a publicação de A família de Pascual Duarte (uma dura história ambientada num pequeno povoado: reflecte o mundo popular e campesino e a seres primitivos, de instintos primários e grandes paixões, onde destacam o ódio e a violência). Escrita com uma prosa brutal e crua, foi todo um acontecimento e deu lugar mesmo a uma corrente, conhecida como «Tremendismo». Em 1943, Pavilhão de repouso, sucessão de monólogos dos tuberculosos de um sanatório, aprofunda a linha existencialista, que em A família de Pascoal Duarte se tinha manifestado na caracterização da vida como algo absurdo. Em 1948, Viagem a Alcarria descrevia, ainda que sem excessiva crueza, um mundo rural atrasado e marginalizado, semelhante ao de A família de Pascual Duarte. A colméia, a obra mais importante de Cela, inaugura o realismo social dos anos cinquenta. Seria editado em 1951 em Buenos Aires, já que a censura tinha proibido sua publicação na Espanha por causa de suas passagens eróticas. Sempre inquieto e desejoso de procurar novos caminhos narrativos, sua seguinte novela, Mrs. Caldwell fala com seu filho (1953), afasta-se do realismo para mergulhar na mente de uma louca que dialoga com seu filho morto. Depois de um longo parêntese, em 1969 publica São Camilo 1936, novela experimental que, mediante um único monólogo interior, oferece uma descrição surrealista do primeiro dia da guerra civil num bordel de Madri. Entre suas últimas novelas destacam Mazurca para dois mortos (1983), ambientada na Galiza, e Cristo contra Arizona (1994), que continua sua linha experimentalista. Sua última obra publicada é Madeira de lei, e tem como argumento a vida dos pescadores da Costa da Morte.

    19 Livros
    5 Seguidores

    Camilo José Cela