Se tem duas histórias bíblicas que eu sou apaixonada desde criança são as histórias de Rute e Ester. Ambas eu lia diversas vezes e sempre procuro adaptações ou livros à respeito. Então minha alegria foi imensa ao descobrir que um autor que eu tanto gostei da escrita havia escrito uma ficção sobre Rute.
A canção de Rute traz vários elementos da história bíblica mas traz alterações bem significativas também. Rute não é moabita e sim uma edomita que vive em Moabe e serve no templo de Quemós. Boaz não é apenas um fazendeiro mas também um guerreiro. A história dos dois se encontra mesmo antes de Rute se casar com Malom, quando Boaz estava passando por um misto de dor e mágoa após sua esposa morrer enquanto fugia com o amante moabita e quando Rute sendo escoltada para Moabe.
Seguimos Rute e sua história com Malom, o casamento, a aproximação com a sogra Noemi e paralelamente acompanhamos a jornada de Boaz, que luta para que o povo de Israel seja convencido da necessidade de estarem prontos para uma possível guerra com Moabe. É interessante como o autor conseguiu criar tanta coisa diferente na história e ainda assim não se perder do enredo original.
Achei uma leitura deliciosa, gosto muito da escrita do Frank G. Slaughter. Menção honrosa para a cena em que Boaz fala sobre seus sentimentos para Rute pela primeira vez, achei linda a forma como ele encontrou para se expressar de forma subjetiva.
Infelizmente alguns detalhes quanto ao enredo me incomodaram e foram eles que me impediram de dar 5 estrelas ao livro. Senti que o autor escreveu estando em conflito sobre o que pensava sobre as leis israelenses e sobre Deus e isso deixa algumas passagens estranhas e ambíguas. Foram detalhes que, infelizmente, tiraram um pouco de todo o brilho da história. De qualquer forma, não deixo de recomendar esse livro para quem tiver vontade de ler uma ficção sobre a belíssima história de Rute, vale a pena a leitura.