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    Borboletas da Alma - Escritos sobre Ciência e Saúde

    Drauzio Varella

    Companhia das Letras
    2006
    387 páginas
    12h 54m
    ISBN-10: 853590915x
    Português Brasileiro
    3.9
    240 avaliações
    Leram460Lendo58Querem555Relendo0Abandonos30Resenhas11
    Favoritos20Desejados555Avaliaram240

    Há um século o anatomista espanhol Santiago Ramón y Cajal descobriu que o cérebro era povoado de células com incontáveis ramificações. Chamou-as neurônios, e ousou uma metáfora poética - são as misteriosas borboletas da alma, cujo bater de asas poderá algum dia - quem sabe? - esclarecer os segredos da vida mental . Estava enunciada, com um quê de lirismo, a teoria neuronal, que valeu ao anatomista o prêmio Nobel de medicina. Em torno do cérebro, o órgão mais complexo do organismo, o mais estudado desde a Antiguidade, gravitam muitas histórias deste livro. Neste livro, Drauzio Varella explica como os cem bilhões de misteriosas borboletas que voejam em nosso cérebro respondem pelo instinto materno, pelas causas da homossexualidade, ou pela violência urbana. Borboletas da alma reúne cerca de setenta crônicas e ensaios atualizados e revistos pelo autor, sistematizados em cinco capítulos. Evolução trata de genes e meio ambiente, de esperanças e limites da clonagem. Sem perder de vista a perspectiva da evolução das espécies por 3,5 milhões de anos, Varella discorre sobre o que em nós é resultado do processo de seleção natural ou subsiste de etapas anteriores em que fomos primatas. Dia-a-dia traz um leque de respostas a questões mais corriqueiras, como o uso do mertiolate, os distúrbios do sono, os benefícios e malefícios do vinho e da carne vermelha. Em A saúde no cotidiano aprende-se muito sobre males mais e menos graves, a azia e a depressão, a nova onda da Aids ou a ameaça da gripe aviária. Drogas estuda, entre outros, remédios perigosos como anabolizantes e anfetaminas, e tratamentos tão alternativos quanto ineficazes. Borboletas da alma se encerra com o capítulo Vida e morte , sobre a longevidade, o envelhecimento e a proximidade da morte - temas recorrentes nos livros desse oncologista de longa experiência e convívio com doentes graves, vítimas de câncer e de Aids.

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    Resenhas (11)Ver mais
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    Paulo Moraga29/04/2012Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Este é um livro para ler, reler depois de um tempo, para refletirmos com mais maturidade, anotar passagens e repetir estas ações de tempos em tempos, considerando tanto a abrangência dos temas como do tempo em que os assuntos abordados continuarão sendo atuais. Nos dois primeiro capítulos, ele já questiona a prepotência do homem e a importância dele na Terra perante as demais espécies que já existiam antes de ele aparecer e vão continuar se ele desaparecer, sem fazer falta alguma para elas. Citações: "O sucesso ou fracasso ecológico de uma espécie nada tem a ver com a importância que ela atribui a si mesma (os dinossauros que o digam)." (pág. 16) "A evolução não cria mecanismos especiais para nenhuma espécie." (pág. 19) "Mulheres e homens têm apenas 30 mil genes! A divulgação desse dado pelo Projeto Genoma foi um balde de água fria no orgulho do homem: imaginávamos que fossem pelo menos 100 mil. Se as moscas têm 13 mil genes, qualquer verme, 20 mil, um abacateiro, 25 mil, e os camundongos que caçamos nas ratoeiras têm 30 mil, 100 mil para nós parecia uma estimativa razoável. Afinal, não foi culpa nossa havermos sido criados à imagem e semelhança de Deus. (...) Admitir, no entanto, que nosso genoma é formado pelo mesmo número de genes e que somente trezentos genes são responsáveis pelas diferenças entre nós e eles, representa humilhação inaceitável. (...) (...) No 'ranking' evolutivo não existe primeira posição. A prova é que as bactérias foram os primeiros habitantes do planeta e não só ainda estão por aí como representam mais da metade da biomassa terrestre, isto é, se somarmos o peso de cada uma, obteremos mais da metade da massa de todos os demais seres vivos somados, incluindo árvores, epefantes e baleias. Não fizemos nenhuma falta à vida na Terra durante praticamente toda a existência dela, e se um dia formos extintos, nenhuma formig, cigarra ou besouro chorará a nossa ausência. A evolução continuará seu caminho inexorável de competição e seleção natural, como ensinaram Charles Darwin e Alfred Wallace." (pág. 23-24) "O que intriga na evolução não é a proximidade genética entre as espécies, mas os genes responsáveis pelas diferenças." (pág. 25) A frase acima foi dita para complementar a semelhança fisiológica nossa com os ratos (por isso eles são utilizados em laboratórios para entendimento da fisiologia humana) e a pouca diferença (5%) entre nós e os grandes primatas, que foi decisiva para povoarmos o planeta aos bilhões, o que jamais ocorreria com outra espécie. Este livro é importante para refletirmos a importância da preservação do planeta para a vida global. Uma coisa que sempre enfatizo, quando este tipo de tema surge entre conversas, é o que o homem já deve ter eliminado de espécies (que nem sabia que existiam e nunca vai saber) com as inúmeras bombas (em guerras e/ou simplesmente em testes realizados na história da humanidade, tudo em função da prepotência do homem de poder mais) e que, se um dia tais espécies seriam cruciais para a preservação da vida na Terra, nunca saberemos, e ela poderá ser destruída.

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    Drauzio Varella

    Drauzio Varella é médico oncologista, formado pela USP. Nasceu em São Paulo, em 1943. Foi um dos fundadores do Curso Objetivo, onde lecionou química durante muitos anos. No início dos anos 1970, trabalhou com o professor Vicente Amato Neto, na área de moléstias infecciosas do Hospital do Servidor Público de São Paulo. Durante 20 anos, dirigiu o serviço de Imunologia do Hospital do Câncer (SP) e, de 1990 a 1992, o serviço de Câncer no Hospital do Ipiranga, na época pertencente ao INAMPS. Foi um dos pioneiros no tratamento da AIDS, especialmente do sarcoma de Kaposi, no Brasil. Em 1986, sob a orientação do jornalista Fernando Vieira de Melo, iniciou campanhas que visavam ao esclarecimento da população sobre a prevenção à AIDS, primeiro pela rádio Jovem Pan AM e depois pela 89 FM de São Paulo. Na Rede Globo, participou das séries sobre o corpo humano, primeiros socorros, gravidez, combate ao tabagismo, planejamento familiar, transplantes e diversas outras, exibidas no Fantástico. Em 1989, iniciou um trabalho de pesquisa sobre a prevalência do vírus HIV na população carcerária da Casa de Detenção do Carandiru. Desse ano, até a desativação do presídio, em setembro de 2002, trabalhou como médico voluntário. Atualmente, faz o mesmo trabalho na Penitenciária Feminina de São Paulo. Na Amazônia, região do baixo rio Negro, dirige um projeto de bioprospecção de plantas brasileiras com o intuito de obter extratos para testá-los experimentalmente em células tumorais malignas e bactérias resistentes aos antibióticos. Esse projeto, apoiado pela FAPESP, é realizado nos laboratórios da UNIP (Universidade Paulista) em colaboração com o Hospital Sírio-Libanês.

    34 Livros
    537 Seguidores
    São Paulo, Brasil

    Drauzio Varella