Tsotsi: infância roubada, escrito pelo dramaturgo sul-africano Athol Fugard, foi transformado em filme e ganhou diversos prêmios internacionais, entre eles o Oscar. A história, de intenso apelo humano, narra as andanças de um jovem marginal negro, com sua gangue de assassinos e assaltantes, pelas ruas miseráveis de um bairro segregado da Johannesburgo dos anos 1950. Tsotsi (algo como "trombadão", no jargão dos guetos, e também o nome do personagem principal) vive aprisionado num mundo de intolerância racial, cometendo crimes contra seu próprio povo. Nesse mundo de violência e pobreza, a morte parece ser a única saída. Até que uma jovem mãe abandona seu bebê nas mãos do rapaz, jogando luz sobre um passado de injustiças e afetos perdidos. A edição brasileira oferece também uma das principais peças de Athol Fugard, Mestre Harold ...e os meninos, incluída entre as cinquenta mais importantes do século XX pelo prestigioso Royal National Theatre londrino. Baseada num incidente doméstico protagonizado por um adolescente branco e seus dois empregados negros, a peça exibe todo o poder corruptor do antigo regime do apartheid.
Tsotsi: infância roubada - Seguido da peça Mestre Harold ...e os meninos
Athol Fugard
Edições (1)
Ver maisCreio que pela história de Fugard no teatro isso influencia a sua escrita e a velocidade de seu livro. A seqüência dos eventos acontece em uma rapidez que é difícil se acostumar no início. Claro que isso não tira a beleza do livro, somente é uma forma diferente. O livro é muito mais do que um garoto que encontra um bebê e tem suas aventuras sobre como criá-lo. Isso não é sessão da tarde, é muito mais do que isso. Eu diria que o livro é sobre a descoberta de si mesmo, seja de seu passado ou sentimentos. A sucessão de eventos que vão acontecendo na vida de Tsotsi vai fazendo-o olhando cada vez mais para dentro de si e descobrindo novas camadas de emoções. Acompanhar a mudança de Tsotsi é linda, por que parece que você está ao lado dele quando ele vai se perguntando sobre a vida e não sabe se quer ir mais a fundo ou fugir correndo. Não há muito que dizer do livro sem ser sobre essa caminha pela descoberta da história de Tsotsi. Outra característica, que eu acho, que ele traz do teatro é como constrói as cenas, ele consegue criar um suspense, que pode haver cenas que você está segurando o ar sem saber. Uma característica maravilhosa é como ele cria os personagens, mesmo aqueles que só estarão em um ou dois capítulos. Não são somente nomes para Athol, todos têm uma história e desejos. Gosto quando os autores eles trazem uma carga emocional para os personagens secundários ou até terciário (isso existe?). Acho que quando cria essa ligação emocional, se sente muito mais quando eles vão, no caso desse livro, assassinados pelo protagonista. Chega a ser engraçado como consigo me envolver mais com personagens em dez páginas do que de filmes que duram horas. Agora a peça Mestre Harold… e os meninos é linda em sua simplicidade. Eu não esperava muito, somente queria ler o mais rápido possível para pegar o próximo livro e que grata surpresa. Por que embora seja simples, mostra com perfeição as relações intra raciais durante a época do apartheid,. Por que embora Hally e Sam sejam próximos e se gostem muito, Hally por qualquer motivo pode voltar para a sua posição ‘original’ e mandar e ofender o quanto quiser o mano-velho Sam. Os diálogos foram muito bem construídos e parecia que acontecia na minha frente. E a comparação que Fugard fez sobre a perfeição da dança ser um sonho frente à imperfeição do mundo foi bela. - - - - - - - - - - - - http://depoisdaultimapagina.wordpress.com/
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