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    Para navegar no século XXI -

    Juremir Machado da Silva

    Editora Sulina/Edipucrs
    2003
    280 páginas
    9h 20m
    ISBN-10: 8520502199
    Português Brasileiro
    3.6
    5 avaliações
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    Tauana Weinberg Jeffman24/11/2011Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Bons artigos

    Se você der uma olhada rápida na capa deste livro, já perceberá que vale a pena sua leitura. Livros que trazem conteúdos desenvolvidos por Edgar Morin, Maffesoli, Levy, Juremir M. da Silva, entre outros, sempre vale a pena. Apesar da edição do livro ser de 2003, eu ainda o considero muito atual, pois suas explanações são válidas nos dias de hoje, apesar da dinamicidade existente neste mundo das tecnologias do imaginário e da cibercultura. Os artigos que mais me chamaram a atenção e que eu mais gostei foi do Edgar Morin, Da necessidade de um pensamento complexo, o do Francisco Menezes Martins, O pensamento filosófico como rede virtual, onde ele faz uma aproximação da cibercultura e a filosofia, do professor Juremir Machado da Silva, Por uma nova literatura figurativa, do Federico Casalego, Hiperliteratura, sociedades hipertextuais e ambientes comunicacionais, onde ele faz uma análise do futuro da literatura e do livro, o hiperlivro, e todas as novas possibilidades de autores e leitores que esse mundo virtual nos oferece. Mas meu artigo preferido continua sendo o primeiro que eu li, escrito por Pierre Lévy, denominado A revolução contemporânea em matéria de comunicação. Vale a pena dar uma olhada e conferir a produção de autores referencias nesta área. Além de você poder conferir a referência das suas referências. No referido artigo, Lévy (2003, p. 195) argumenta que a "humanidade reconecta-se consigo mesma". O autor defendo essa ideia, lembrando-nos de como nossa civilização era unida, única, ou seja, "nossos ancestrais mais diretos habitavam [...] todos a mesma zona geográfica" (LÉVY, p. 196). Com o passar dos anos, nossos ancestrais se dividiram, se distanciaram, e criaram grupos diferentes e separados. Lévy (2003, p. 196) afirma que a segunda grande ruptura foi "a revolução neolítica", caracterizou-se pela "grande mutação técnica, social, cultural, política e demográfica cristalizada na invenção da agricultura, da cidade, do Estado e da escrita". O autor salienta que a história de nossos ancestrais, que possuía "tendência à conexão, à reunião, ou à comunicação", inverte-se e há um "movimento [...] de dispersão" (LÉVY, 2003. p. 197). O autor precisa que a humanidade começou a reconectar-se a partir do século XV, mais ou menos, pois é quando ocorre um "certo número de 'revoluções' na demografia, na economia, na organização política, no habitat e nas comunicações" (LÉVY, 2003, p. 197). Os meios de transporte e a comunicação começam a se desenvolver, e assim, a reconectar uma sociedade antes dissipada. Pessoas que antes eram isoladas, umas das outras, passam a conectar-se, conviver, enfim, passam a se encontrar. De acordo com Lévy (2003, p. 200), assim como no início de nossos tempos, só que te uma maneira diferente, a humanidade volta a torna-se uma só sociedade. Esse fato, de acordo com o referido autor, é tão recente, que nossos conceitos, estudos e teorias, formas culturais e políticas, "são radicalmente inadequados para dar conta dele". Ao explanar sobre conflitos e poderes, Lévy (2003, p. 2002) considera que "o poder e a identidade de um grupo dependem mais da qualidade e da intensidade da sua conexão consigo mesmo do que da sua resistência em comunicar-se com o seu meio". Ou seja, não é levantando muros ou muralhas, delimitando fronteiras e separando-se dos demais que um grupo torna-se coeso e de qualidade. É preciso ampliar nossas fronteiras para que assim, possamos nos desenvolver através da coletividade. Nesta coletividade há troca, reciprocidade, ampliação de conhecimento. Neste sentido, Lévy (2003, p. 203) ressalta que, ao contrário da televisão, por exemplo, "um computador é um instrumento de troca, de produção e de estocagem de informações. Ao canalizar e entrelaçar múltiplos fluxos, torna-se um centro virtual, instrumento de poder". Claro que só a máquina em si não pode fazer isto, ela precisa estar conectada à internet. Porém, assim como a invenção da escrita também criou os "analfabetos", o desenvolvimento rápido da tecnologia e da internet também criou os "analfabetos digitais", criando também, excluídos. Cada vez que algo novo for criado, haverá aqueles que não o possuam, não o conheçam. Lévy (2003, p. 204) é otimista ao afirmar que com todo esse desenvolvimento, cada vez mais veloz, haverá mais pessoas que convivam e interagem com esta tecnologia, e assim, haverá cada vez menos excluídos. Ao explanar sobre o ciberespaço, Lévy (2003, p. 2006) afirma que este "é hoje o sistema com o desenvolvimento mais rápido de toda a história das técnicas de comunicação", além disso, "o ciberespaço encarna um dispositivo de comunicação qualitativamente original, que se deve bem distinguir das outras formas de comunicação de suporte técnico". Lévy salienta que o ciberespaço combina tanto as qualidades dos meios tradicionais de comunicação, como o rádio, jornal e a televisão, pois divulga as informações destes em suas páginas, quanto as qualidades do correio e do telefone, ou seja, troca de mensagens com precisão, e sobretudo, reciprocidade. Para além disso, a memória de nossa sociedade, ao invés de resultar de um emissor "todo poderoso", agora "emerge da interação entre os participantes". A mensagem é de todos para todos (LÉVY, 2003, p. 207). O autor considera que a Word Wide Web é, provavelmente, a "maior revolução na história da escrita, desde a invenção da imprensa (LÉVY, 2003, p. 207 - 208). Como já percebemos, ao utilizar a internet, "quase" qualquer pessoa pode produzir textos, mensagens e informações e publicá-las na internet, tornando-a acessível à todos aqueles que conectam-se à rede. Isso não quer dizer que todas essas informações são verdadeiras, pois é pertinente ao lembrar que, "no plano filosófico, ao menos que se aceitem os argumentos de autoridade, uma notícia não é 'verdadeira'" (LÉVY, 2003, p. 209). No entanto, a internet nos oferece uma ampla gama de informações ao nosso dispor, e o que mais ganhamos com isso é o desenvolvimento de nossas concepções críticas. Outro fato a considerar, é que na internet não há hierarquia, os poderes são iguais, horizontais. Lévy afirma que "como dizia um consultor americano a um dirigente da IBM, uma criança encontra-se aí, em situação de igualdade com uma multinacional". E é esse um dos fatores que, ao meu ver, estão fazendo os setores de comunicação e rp das empresas terem surtos, pois elas tem de aprender a lidar e conviver com consumidores que sabem que possuem o poder em suas mãos. Outra consideração importante de Lévy (2003, p. 214), é quando este afirma que "a Web articula uma multiplicidade de pontos de vistas". Ou seja, aqueles que constroem páginas, perfis na rede, expõem seus pontos de vistas. Tanto sobre um determinado assunto, quanto sobre sua própria vida. Quando alguém escreve algo em um blog, por exemplo, mostra ali sua opinião, seu ponto de vista sobre o determinado assunto. Quando alguém cria um perfil em uma rede social, posta suas melhores fotos, seus melhores links, suas melhores frases, aquilo que ela pensa de si, e da sociedade ao qual está inserida. Lévy (2003, p. 214) afirma que "qualquer um terá a sua página, o seu mapa, o seu site, o seu ou os seus pontos de vista. Cada um se tornará autor, proprietário de uma parcela do ciberespaço. Entretanto, essas páginas, sites e mapas dialogam, interconectam-se e confluem através de canais móveis e labirínticos. O autor ou o proprietário coletivo toma corpo". Cabe lembrar também que o "espaço" para material é ilimitado, no mundo WWW, "sempre há mais lugar", um post, uma informação, não exclui a outra. Vivemos essa evolução dia a dia, e como acontece tudo muito rápido, talvez não nos damos conta de tudo que já mudou em nossa vida, em nossa sociedade. Esse pequeno artigo de Pierre Lévy é perfeito para compreendermos que todos somos camponeses, de um campo universal. Referência: LÉVY, Pierre. A Revolução contemporânea em matéria de Comunicação. In: MARTINS, F. M.; SILVA, J. M (Org.). Para navegar no século XXI: tecnologias do imaginário e cibercultura. 3. ed. Porto Alegre: Sulinas/Edipucrs, 2003. 280p

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    Juremir Machado da Silva

    é um escritor, jornalista, tradutor e professor universitário brasileiro. Leciona na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, onde coordena o Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social. Graduado em História e em Jornalismo pela PUCRS (1984), é doutor em Sociologia pela Universidade Paris V, René Descartes, Sorbonne (1995), tendo sido orientado por Michel Maffesoli. Pesquisador 1B do CNPq, fez pós-doutorado (1998) na França sob a orientação conjunta de Edgar Morin, Jean Baudrillard e Michel Maffesoli. Foi professor-visitante na Universidade Paul Valéry, Montpellier III. De 1993 a 1995, atuou como correspondente do jornal Zero Hora, de Porto Alegre, na Europa, baseado em Paris, quando cobriu vários festivais de cinema de Cannes, Berlim e Veneza, salões e feiras de livro

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    Rio Grande do Sul, Brasil

    Juremir Machado da Silva