Diga-me com quem anda... -

    Judith Rich Harris

    Objetiva
    1999
    560 páginas
    18h 40m
    ISBN-10: 8573022280
    Português Brasileiro

    Que influência têm os pais na formação da personalidade de seus filhos? São eles os principais 'culpados' quando os filhos fracassam? Por que as crianças se tornam o que se tornam? Implodindo inúmeras crenças que vêm dominando a psicologia nesse século, a psicóloga Judith Harris causou imenso impacto em todo o mundo. Com o apoio de pesquisas científicas e notável consistência, ela afirma que os pais não são os protagonistas absolutos no desenvolvimento infantil. Mais do que eles, o que realmente conta é a socialização com os amigos, aquilo que as crianças vivem fora de casa, junto a seus companheiros no dia-a-dia. DIGA-ME COM QUEM ANDA..., o livro em que Harris desenvolve sua teoria revolucionária, lançado agora pela Editora Objetiva, foi saudado nos Estados Unidos como o 'fenômeno editorial da temporada'. Discutido nos jornais e programas de televisão mais importantes do país, ganhou matéria de capa na Newsweek e em The New Yorker. 'Um livro para marcar definitivamente a história da psicologia', afirmou esta última. Também recebeu aval acadêmico. O psicólogo e linguista Steven Pinker, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, por exemplo, qualificou a obra como 'erudita, revolucionária, perspicaz e maravilhosamente clara e espirituosa'. Judith Harris contesta um dos mitos mais arraigados em nossa cultura: a hipótese da criação, segundo a qual, junto à herança genética, os pais legam aos filhos uma determinada educação que definirá as dificuldades emocionais do adulto. Por que, então, gêmeos criados juntos não se parecem mais do que os que são criados separadamente? Por que os filhos de imigrantes acabam falando perfeitamente e sem sotaque a língua dos seus colegas e não a dos pais? Com exemplos do folclore e da literatura, além de extenso conhecimento acadêmico, a autora mostra que as relações familiares variam de uma cultura para outra. Já um aspecto da infância que é universal - e Harris analisa o relacionamento de crianças das mais diversas culturas, inclusive as de uma tribo indígena brasileira - é o grupo de amigos. Com seu livro desmistificador, Judith Harris tranquiliza os pais quanto a seu real papel na formação dos filhos. Pois como milhares deles já podiam intuir por sua própria experiência, apesar de toda a pressão cultural na direção contrária, pais dedicados e atentos não garantem filhos felizes e seguros. Judith Harris formou-se em Psicologia pela Brandeis University, em 1959, e concluiu Mestrado na Universidade de Harvard, em 1961. Escreveu diversos livros acadêmicos sobre desenvolvimento infantil até criar esta nova teoria que contradiz suas crenças anteriores e aponta um novo caminho para os estudos do desenvolvimento infantil. Depois de muitos anos presa a uma cama, vítima de doença crônica, despertou atenção ao publicar um artigo em 1995 na conceituada revista Psychological Review, uma das mais famosas revistas acadêmicas de psicologia, sem estar ligada a qualquer universidade ou instituição. Neste artigo, apresentava sua original teoria. O artigo recebeu o prêmio da American Psychology Association.

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    Pablo Pax13/10/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    E talvez você saberá quem tu és

    Judith Harris vasculhou toda a literatura científica sobre o que mais contava na formação do indivíduo. Ela redirecionou falsas polarizações como o grau de influência dos genes (Nature) x meio social (Nurture), e destronou grandes mitos como a influência de uma (boa ou má) infância sobre a nossa personalidade para o resto da vida. Grosso modo, com muitos dados (psicologia, etologia, sociologia, antropologia, estatística, literatura popular), argumentos afiados e muita criatividade, suas 'conclusões' é de que instituições como a família, os pais principalmente, a escola e a religião, que já perderam a hegemonia para os meios de comunicação no século XX, têm pouca influência sobre nós. A instituição que mais pesa na formação de nossa personalidade são os grupos de colegas de nossa geração (o 'diga-me com quem andas' do título...). Os grupos de colegas podem ser formados na escola, na igreja, na vizinhança, mas eles são relativamente independentes da escola, igreja, vizinhança porque formam uma espécie de 'submundo', uma referência para a psique do indivíduo ao longo da vida. Quando você estiver com 50, 60, 80 anos, é provável que você não se interessará muito pelo que aconteceu com os familiares, vizinhos ou avós, você vai querer saber o que seus colegas de geração fizeram (ou estão fazendo). Suas conclusões são assustadoras para os pais que pensam serem a grande influência de seus filhos. O máximo que os pais poderiam fazer é escolher o ambiente no qual eles gostariam que seus filhos formassem amizades. Por exemplo, saindo de um bairro 'pesado' e mudando para um mais tranquilo ou enviando os filhos para um determinado colégio, algo que a aristocracia, que aliás nunca foi afetuosa na criação dos filhos, sempre fez ao longo da história, e que as elites burguesas, embora mais afetuosas com suas crianças, também costumam fazer. Esse livro foi um best-seller nos inícios dos anos 2000 e até o momento nenhum autor, nem mesmo da neurociência, superou suas conclusões. Para quem tem filhos ou trabalha na área (educadores, terapeutas etc.), é uma leitura e tanto.

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