O Homem que Colecionava Manhãs -

    Liberato Vieira da Cunha

    Objetiva
    2004
    376 páginas
    12h 32m
    ISBN-10: 8573026324
    Português Brasileiro

    Uma envolvente história sobre o poder da palavra. Da palavra escrita, sussurrada, insinuada. Da palavra esquecida, embargada, dilacerada. Da palavra que une amores, desfaz negócios, apazigua mágoas. Da palavra que revela os sentimentos mais profundos e os mais sórdidos também. Ambientado na Porto Alegre de 1945, "O Homem que Colecionava Manhãs" nos apresenta uma reconstituição rigorosa daquela época - os imigrantes, o final de guerra, a política de Vargas. Em meio a esta cidade que oscila entre a tradição e a modernidade, conheceremos Alberto Lins da Nave, um sujeito que vive de escrever cartas - de amor e de negócios. Com seu talento para criar histórias, ele manipula a vida dos seus destinatários. Seduz mulheres, cobra dívidas, rompe relacionamentos e, até mesmo, provoca a morte. Funcionário público que aguarda eternamente uma promoção no trabalho, Alberto namora vagamente uma moça chamada Gisa e tem alguns pesadelos recorrentes. Solitário, nunca conheceu sua mãe, tem uma relação complicada com o irmão e complementa sua renda escrevendo cartas para os outros. Sua vida passaria despercebida não fosse sua fértil imaginação.

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    Reginaldo Aparecido de Freitas28/10/2020Resenhou um livro
    2 (Razoável)

    O HOMEM QUE COLECIONAVA MANHÃS (2004), de Liberato Vieira da Cunha. Porto Alegre, 1945. Na capital gaúcha, acompanhamos o dia a dia de Alberto Lins da Nave, funcionário público lotado na Diretoria de Praças e Jardins. Enquanto aguarda uma promoção que nunca vem, ele incrementa seus parcos rendimentos escrevendo cartas de amor e de negócios no seu tempo livre. A Segunda Guerra já acabou na Europa e o Estado Novo de Vargas vive seus últimos momentos. Alberto é oriundo de uma família burguesa do interior, que já viveu melhores condições financeiras. Seu pai, já falecido, era um médico conceituado na sua cidadezinha natal. Quanto à mãe, o protagonista mal tem lembrança dela, pois ela morreu pouco tempo depois do seu nascimento. Ele também possui um irmão mais velho - Álvaro, advogado -, mas a relação entre os dois nunca foi das melhores; piorou depois que Alberto se desentendeu com a família e se mudou para Porto Alegre. Essas complicadas e conturbadas relações familiares são apenas esboçadas pelo autor; pouco é aprofundado; muita coisa é apenas sugerida. E aqui está o ponto fraco da obra: são deixadas várias pontas soltas ao longo da história. No geral, o romance atira para todos os lados, dando a impressão de não saber que caminho seguir. Sugere um drama familiar; introduz questões sobre o momento políticos e social do país; insere elementos de suspense, crime e investigação policial; e ao final não realiza a contento nada disso. Personagens são introduzidos, insinuando certa importância para o desenvolvimento da trama, e simplesmente são deixados de lado. Alinhavando toda essa algaravia, um protagonista nada empático, com uma personalidade indefinida e flutuante - ele seria um sonhador ou um canalha? Aliás, nenhum dos personagens traz um drama com o qual podemos nos solidarizar minimamente. O ano ainda não acabou, mas certamente esta leitura estará entre as descartáveis de 2020.

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