Praticamente todos os diálogos platônicos giram em torno de um tema central, de uma discussão para definir uma determinada virtude, moral ou caminho político. Todos passam por uma avaliação fria e racional, a fim de chegarem a um consenso, sendo que muitas vezes os diálogos terminam de forma inconclusiva - como é o caso da maioria dos diálogos neste volume.
No diálogo "Cármides" a discussão é em torno do que é a virtude da moderação. Cármides é descrito como alguém que possuí a virtude da moderação, e a partir disso se segue uma investigação para descobrir o que é moderação.
Eles falham por meio da investigação racional, no entanto, o personagem (Cármides) demonstra a virtude da moderação na sua modéstia e humildade, já que ele não se sente orgulhoso nem superior ao ser chamado de virtuoso.
Coisa semelhante acontece no diálogo "Laques," onde o objetivo principal é descobrir o que é a virtude da coragem. Novamente o diálogo falha pelas vias racionais, acabando de forma inconclusiva. Os personagens porém, depois de terem todas as suas ideias desconstruídas por Sócrates, demonstram a coragem na prática. Através da inquietação diante da ignorância, decidem continuar buscando pelo conhecimento.
Platão porém, não é expositivo - assim como todos os bons escritores - deixando essa interpretação como um subtexto. Platão define sem definir. Mostrando as virtudes na prática, demonstrando que a filosofia é viva, e que nem sempre pode ser alcançada por meio da razão.