Coração Devotado à Morte é um profundo estudo interdisciplinar sobre uma das mais importantes composições do ocidente, Tristão e Isolda de Richard Wagner.
Scruton é altamente original e mergulha em aspectos que raramente foram explorados com tanto rigor. Sendo critico, passa pela abordagem musicológica a filosófica, da análise das partituras aos conceitos. Podemos encontrar em sua musicalidade um misto de temas que se conectam: o transcendente, a natureza erótica e a morte.
A crença religiosa sobrenatural tornou-se impossível no mundo moderno. Mas os humanos têm uma necessidade constitucional de redenção. Devemos sentir que temos "mais do que um destino mundano", ou somos apenas animais sem sentido. Nós também, felizmente, temos capacidade de redenção. A maneira como podemos nos redimir é nos dedicando a algo - absolutamente, até a morte.
Há a devoção transcendente do amor erótico-romântico: “Aqueles sublimes momentos em que o amor se prepara para se sacrificar pelo amado constituem nossa redenção". E se nossos verdadeiros amores ordinários não chegam a esse tom, ainda podemos nos sentir como se pudessem, através da forma heróica idealizada, dada em forma de uma obra de arte. Essa arte edificante deve assumir em nossas vidas o papel de um rito religioso.
Scruton compreende a obra como tendo um significado religioso. Religiosa no sentido de encarnar, como a Eucaristia encarna a doutrina do cristianismo, uma doutrina que daria às nossas vidas sem sentido um significado suficiente se fôssemos acreditar e segui-lo.