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    Howards End -

    E. M. Forster

    Editora Globo
    2006
    388 páginas
    12h 56m
    ISBN-10: 8525041076
    Português Brasileiro
    3.8
    116 avaliações
    Leram166Lendo19Querem320Relendo2Abandonos8Resenhas11
    Favoritos7Desejados320Avaliaram116

    Quarto romance de Edward Morgan Forster, Howards End foi escrito entre 1908 e 1910 e publicado nesse último ano, tendo sido imediatamente saudado pela crítica. O romance encena os conflitos ideológicos e emocionais que brotam da relação entre duas famílias da classe alta de Londres: uma inglesa, os Wilcox, e outra de ascendência alemã, os Schlegel, com duas irmãs e um irmão. Através de análises psicológicas muito refinadas e um estilo límpido, Forster vai montando as oposições centrais que nortearão os desdobramentos do romance. Paralelamente à trama principal, o autor esmiúça as relações que as irmãs Schlegel mantêm com Leonard Bast, um rapaz simples, que sonha ser culto, e que ocupará, ao final do romance, um papel fundamental em seu desenlace.

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    jota 1104/01/2012Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Clássico moderno

    Logo nas primeiras páginas do livro uma interessante observação de Forster através de Helen, uma das irmãs Schlegel (a outra é Margaret, ou Meg): "A vida às vezes é vida; outras vezes, teatro apenas." Ela se refere aos Wilcox, família inglesa de alta classe média, proprietária de Howards End, onde se encontra hospedada. Para Helen, grande parte do tempo o comportamento dos Wilcox era pura peça de teatro. São embates emocionais e ideológicos que se apresentam a toda hora neste livro. Os valores humanitários versus os outros valores, e como diz o sr. Wilcox a certa altura, “um sólido homem de negócios fazia mais pelo mundo do que uma dezena de reformadores sociais.” Livro inglês que não toca no problema de classes sociais falta alguma coisa. Neste sobra. Quem leu Passagem Para a Índia, do mesmo autor, sabe do que estou falando (e naquele livro ainda havia o problema do colonialismo, também caro para os ingleses). Além dos Wilcox e dos Schlegel (Meg, Helen e o irmão Tibby são meio ingleses, meio alemães), entra na trama o jovem Leonard Bast, e sobre ele Forster escreve: "(...) Esta história diz respeito à gente bem ou àqueles que são obrigados a fingir que são gente bem. O jovem Leonard Bast situava-se no limite extremo do espaço ocupado pela gente bem. Não estava no abismo, mas podia vê-lo e, em certas ocasiões, pessoas que ele conhecia haviam despencado e não eram mais levadas em conta.” São esmiuçadas as relações que as irmãs Schlegel mantêm com Bast, rapaz simples, que almeja ser culto, e que ocupará um papel fundamental no desenlace dessa história. As reflexões que Forster faz ao longo de todo o romance, ele mesmo ou através de algum de seus personagens, alguma filosofia (Nietzsche, por exemplo), algum Shakespeare e até mesmo certas considerações acerca da quinta sinfonia de Beethoven tornam este livro um clássico moderno. Os diálogos são saborosos, plenos de ironia (delicada, é claro), que fazem com que a obra permaneça atual em nossos dias. Mesmo porque eles envolvem política e economia (capitalismo x socialismo), "luta de classes", cultura literária e artística em geral. Howards End trata bastante de nacionalidade (a inglesa versus a alemã; aqui representada pelos Wilcox e pelas Schlegel), classes sociais, status econômico, e como cada um desses fatores interfere nas relações pessoais. A tônica do livro é essa, como parece ser a da maioria das obras de E. M. Forster. Margaret e Helen (também Tibby, estudante em Oxford) são intelectuais, dedicam-se às artes, especialmente a literatura, leem muito, têm muitos livros. Os Wilcox são pouco preocupados com coisas ligadas ao intelecto ou ao coração, mas às "virtudes tais como limpeza, decisão e obediência, virtudes de segunda ordem, sem dúvida, mas foram elas que formaram nossa civilização”, nas palavras de Wilcox. As questões e as disputas presentes nesse romance faziam muito sentido por volta de 1910, quando o livro foi lançado, e não envelheceram com o tempo, tornando-o um clássico do século XX. Ainda que Passagem Para a Índia seja o livro de Forster mais lembrado e conhecido, os críticos ingleses costumam considerar, no entanto, Howards End sua obra-prima. Lido entre 04 e 07.01.2012.

    7 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.8 / 116
    • 5 estrelas22%
    • 4 estrelas39%
    • 3 estrelas34%
    • 2 estrelas4%
    • 1 estrelas1%
    Edward Morgan Forster profile picture

    Edward Morgan Forster

    Edward Morgan Forster, geralmente publicado como E.M. Forster, era um romancista, ensaísta e escritor de contos. Ele é mais conhecido por seus romances irônicos e bem planejados que examinam a diferença de classe e a hipocrisia na sociedade britânica do início do século XX. Seu impulso humanista em direção à compreensão e à simpatia pode ser apropriadamente resumido na epígrafe de seu romance de 1910 Howards End: "Conecte-se somente" ("Only connect"). Ele teve cinco romances publicados em sua vida, alcançando seu maior sucesso com A Passage to India (1924), que tem como tema a relação entre Oriente e Ocidente, visto através das lentes da Índia nos últimos dias do Raj britânico. As opiniões de Forster como um humanista secular estão no centro de seu trabalho, que muitas vezes retrata a busca de conexões pessoais, apesar das restrições da sociedade contemporânea. Ele é conhecido por seu uso do simbolismo como técnica em seus romances, e tem sido criticado por seu apego ao misticismo. Seus outros trabalhos incluem Where Angels Fear To Tread (1905), A Viagem Mais Longa (1907), A Room with a View (1908) e Maurice (1971), romance publicado postumamente.

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    Edward Morgan Forster