O Engenhoso Cavaleiro D. Quixote de La Mancha - Segundo Livro

    Miguel de Cervantes Saavedra

    Editora 34
    2007
    856 páginas
    1d 4h 32m
    ISBN-13: 9788573263923
    Português Brasileiro

    Publicada em 1615, uma década depois do primeiro livro e menos de um ano antes da morte de Cervantes, esta segunda parte do D. Quixote, muito mais do que uma simples continuação da primeira, representa o aprofundamento e a realização plena da obra máxima do escritor espanhol. Se o primeiro livro imortalizou as loucuras do cavaleiro e as graças de seu fiel escudeiro, este segundo volume elevou a obra a um nível poucas vezes alcançado nos quatro séculos decorridos desde sua criação. Subvertendo aspectos fundamentais da criação artística - a começar pelas noções de autor e narrador - com uma liberdade e capacidade de invenção espantosas, Cervantes produziu um marco que redefiniria toda a literatura ocidental posterior, influenciando escritores como Laurence Sterne, Gustave Flaubert, Franz Kafka, James Joyce, William Faulkner e, para ficar só com um brasileiro, Machado de Assis. Além da rigorosa tradução e das notas de Sérgio Molina, este segundo volume, publicado com o apoio do Ministério da Cultura da Espanha, inclui o texto original em castelhano, as gravuras de Gustave Doré e apresentação de Maria Augusta da Costa Vieira, uma das principais cervantistas brasileiras. Sobre o tradutor Sérgio Molina nasceu em Buenos Aires em 1964 e mudou-se para o Brasil aos dez anos de idade. Estudou Ciências Sociais, Letras, Editoração e Jornalismo na USP. Começou a traduzir do espanhol em 1986 e verteu para o português mais de sessenta livros, de autores como Alejo Carpentier, Jorge Luis Borges, Ricardo Piglia, Roberto Arlt, Mario Vargas Llosa, Tomás Eloy Martínez, Ernesto Sabato, César Aira e Javier Cercas. Sua tradução para a primeira parte de D. Quixote foi premiada na 46º edição do Prêmio Jabuti (2004). Sobre o ilustrador Pintor, gravador, escultor e desenhista, Gustave Doré nasceu em Estrasburgo, na França, em 1833. Em 1847 muda-se com o pai para Paris, e nesse mesmo ano, ainda adolescente, publica seu primeiro álbum, Os trabalhos de Hércules, precursor das histórias em quadrinhos. Jovem prodígio, dedica-se então a ilustrar os clássicos da literatura, como Gargântua e Pantagruel de Rabelais (1854), A Divina Comédia de Dante (1857), A tempestade de Shakespeare (1860), Contos de Perrault (1862), D. Quixote de Cervantes (1863), Paraíso perdido de Milton (1866), O conto do velho marinheiro de Coleridge (1870) e Orlando furioso de Ariosto (1877), criando, com o auxílio de uma bem treinada equipe de gravadores, imagens que se tornaram emblemáticas dessas obras. Consagrado como um dos maiores ilustradores do século XIX, Gustave Doré morreu em Paris, em 1883.

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    Alessandra Rodrigues  picture
    Alessandra Rodrigues 17/06/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Um clássico é um clássico por algum motivo

    Antigamente eu pensava que "Dom Quixote" seria apenas uma sátira às novelas de cavalaria e nada mais, porém descobri nessa leitura elementos que sobressaem em cima disso. É uma constante das narrativas fictícias, ainda que em doses mínimas, desperta em seus leitores reações de surpresas com o desenrolar dos acontecimentos no decorrer da história. Ao moldar a realidade a sua própria maneira de enxergar o mundo, o Cavaleiro da Triste Figura vive um ideal que se distancia da letárgica existência que antes tinha. Cada episódio de sua jornada se torna um acontecimento ímpar na "comparação do seu valoroso ofício", onde tudo pode acontecer sob os argumentos mais absurdos possíveis. Ainda que os méritos dos responsáveis por essa adaptação contemporânea, as narrativas de Dom Quixote surpreendem em natureza e humor tão atuais e familiares. Miguel de Cervantes aos modos de um jornalista, zomba do estereótipo tão popular de homem valente e moral através de uma narração que abrange o delírio narcisista de seu herói e a visão debochada de quem o assiste. Simplesmente não tenho receio de afirmar que o "Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de La Mancha" é uma obra atemporal que permanecerá sendo lembrada enquanto existir pessoas que prezam uma boa literatura.

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