A argumentação - História, teorias, perspectivas

    Christian Plantin

    Parábola
    2008
    152 páginas
    5h 4m
    ISBN-13: 9788588456907
    Português Brasileiro

    A argumentação foi inicialmente pensada como componente dos sistemas lógico, retórico e dialético, conjunto disciplinar cuja desconstrução foi completada no fim do século XIX. A construção de um pensamento autônomo da argumentação nos anos 1950 foi estimulada pela necessidade de encontrar uma noção de "discurso sensato", por oposição aos discursos fanáticos dos totalitarismos. As visões gerais da argumentação que emergirão nos anos 1970 tomarão perspectivas bem diferentes. Para dar conta delas, este livro apresenta a argumentação como modo específico de encadeamentos de enunciados em um discurso. Leitores desejosos de conhecer de modo sintético e aprofundado as teorias e as principais noções do campo da argumentação encontrarão aqui uma obra ágil, a partir da qual se moverão com facilidade na bibliografia especializada.

    Resenhas (1)Ver mais
    Henrique K. picture
    Henrique K.07/10/2023Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Bom e sucinto, porém não autossuficiente.

    Sinto que esta obra, por mais enxuta e instrutiva que seja, não é um bom lugar para iniciar os estudos. Talvez pelas próprias restrições de tamanho, certos conceitos são pouco trabalhados ou simplesmente omitidos. O livro em si oferece explicações bastante esclarecedoras sobre o campo tão esquecido e repudiado, e somente nas últimas décadas revivido, da argumentação. Acredito, contudo, que há obras introdutórias melhores, como "Argumentação" (Contexto), do grande José Luiz Fiorin. Após um breve panorama histórico, Plantin discorre sobre as várias teorias que tomaram a argumentação como foco. O autor critica, embora não de forma maniqueísta, os modelos monologais desenvolvidos por teóricos como Perelman e Toulmin, que silenciam o interlocutor e ignoram o terceiro (o auditório, o juíz). Como alternativa, defende-se no quarto capítulo um modelo dialogal, composto pelos actantes Proponente, Oponente e Terceiro, em volta de uma pergunta argumentativa (por exemplo, deve-se legalizar o uso de drogas?). No último capítulo, após uma discussão sobre as artes das provas e sobre o lugar dos afetos (ethos, pathos) no discurso, Plantin volta o olhar para outras tradições de estudo da argumentação. Advoga-se a importância de não se se limitar apenas à base greco-latina, como se fosse o único paradigma que existe, imutável e esclerosado. É a partir dessa perspectiva comparada que o autor realiza um ensaio sobre a argumentação teológico-jurídica no Islã. Repito: este é um livro muito elucidativo. Tenho, porém, minhas dúvidas no que concerne à sua utilidade enquanto introdução ao tema. [Escrito originalmente na Amazon, em 04/2020.]

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