Lenice Gomes nos convida a mergulhar em um universo onde as palavras são costuradas com delicadeza e intenção. A menina que bordava bilhetes é uma obra que celebra o poder do afeto e da palavra bem dita, transformando o cotidiano em poesia.
A narrativa é lírica e sensível, com forte presença da tradição oral brasileira, das cantigas e dos folguedos populares. Margarida, a protagonista, borda bilhetes que tocam o coração de quem os recebe, um gesto simbólico que valoriza o presente das boas palavras.
As ilustrações de Ellen Pestili são um espetáculo à parte: feitas com bordados, fuxicos e tecidos, elas ampliam a experiência sensorial da leitura, tornando o livro quase um objeto artesanal.
Apesar de toda a beleza estética e poética, senti que a obra poderia ter se aprofundado mais em sua proposta narrativa. É uma leitura encantadora, mas que talvez não alcance todo o seu potencial com leitores mais jovens sem mediação.
Ainda assim, é um livro que merece ser lido — e sentido — com o coração.