O Empate -

    Florentina Esteves

    Oficina do livro
    2007
    100 páginas
    3h 20m
    ISBN-13: 9788588506122
    Português Brasileiro

    No romance O empate, Florentina Esteves discute a polêmica questão das queimadas e do desmatamento na região do Acre, os conflitos entre fazendeiros e seringueiros. O termo "empate" tem origem no verbo "empatar" e foi empregado na região acreana com o sentido de impedir alguém de realizar ato danoso contra a natureza ou um determinado grupo. Para enfrentar a força desagregadora dos criadores de gado, que tentavam desarticular o antigo extrativismo vegetal da borracha e da castanha, tradicional na região, implantando fazendas nas terras de seringais, os seringueiros se utilizavam do “empate”. Homens, mulheres e crianças se posicionavam de mãos dadas, na frente das armas, de motosserras e dos peões que trabalhavam para os fazendeiros e madeireiros para impedir a invasão de suas terras e a derrubada da floresta. Se necessário, ficavam horas na mesma posição ou até o dia inteiro. Esta atitude de resistência foi chamada de "empate".

    Resenhas (1)Ver mais
    Crí­stofer Caetano picture
    Crí­stofer Caetano10/02/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Severino Sobral, seringueiro, sem estudos, vive da extração de borracha, em um seringal no interior do Acre, nas proximidades de Xapuri. Nordestino, largou família e o pouco que tinha para tentar a vida nos seringais, visando prosperidade. Casa-se com Mani, filha da terra, índia, versada nas medicinas naturais da floresta, sua luz. Tiveram nove filhos. O mais novo, Firmino, desde pequeno mostrava interesse em novos horizontes. Severino, Firmino e tudo o que construíram no seringal ao longo da vida, estão sob ameaças de "invasores" de suas terras. Firmino ainda jovem, muda-se para Xapuri e é acolhido por Osmarino, sindicalista defensor dos direitos dos seringueiros, fazendo frente contra os "paulistas" que chegavam à Amazônia fazendo grandes queimadas e derrubadas para pastagens de gado. Osmarino, juntamente com outros membro do sindicado, incluindo Chico Mendes, faziam os "empates", ações para impedir ou empatar o desmatamento. Firmino muito aprendeu, mas foi obrigado a voltar para junto de seu pai, no seringal, sob ameaças, após Osmarino ser emboscado e assassinado a mando dos "paulistas". Neste romance da acreana Florentina Esteves, apesar da ficção, nos deparamos com uma vida que se aproxima muito da realidade em que viviam os seringueiros. É construído tanto como crítica socioambiental quanto como retrato de uma realidade de sofrimentos e solidão, esquecida por muitos hoje em dia. Também traz críticas políticas ao governo que ignorou e ignora até hoje o sacrifício de muitos homens, de muitas família, para proteger pedaço de chão, seu lugar no mundo. Leitura obrigatória para vestibulares no Acre antes do ENEM como porta de entrada para universidades, também deveria ser encarado como leitura obrigatória para todos os acreanos. Suas críticas, seu peso e sua humanidade retratam com clareza o passado de nossas terras e nos faz pensar nas lutas e nos sacrifícios daqueles que foram esquecidos pela história, daqueles cujo direito de pertencer a um lugar foi tirado. Florentina retrata o Acre como ele foi.

    2 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.4 / 4
    • 5 estrelas75%
    • 4 estrelas0%
    • 3 estrelas25%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%