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    Visões da Noite - Histórias de Terror Sarcástico

    Ambrose Bierce

    Record
    0
    224 páginas
    7h 28m
    ISBN-10: 8501055247
    Português Brasileiro
    3.9
    147 avaliações
    Leram163Lendo18Querem146Relendo1Abandonos9Resenhas12
    Favoritos17Desejados146Avaliaram147

    Visões da noite é uma coletania das histórias mais macabras de Bierce. Em muitas delas, há um homem caminhando sózinho por uma floresta, a noite, sem saber se esta acordado ou sonhando - e se é uma vitima ou um assassino.

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    Fabio Shiva picture
    Fabio Shiva07/11/2023Resenhou um livro
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    Alguém que chuta um cachorro na rua pode ser um bom escritor?

    Resenha do livro VISÕES DA NOITE, de Ambrose Bierce Essa antologia de contos foi organizada e traduzida por Heloísa Seixas, que no prefácio declara que Ambrose Bierce “é hoje considerado um dos mestres da literatura de horror americana, junto com H. P. Lovecraft e, é claro, Edgar Allan Poe”. Quando li isso minha primeira reação foi ficar (mais uma vez) impressionado com minha própria ignorância, pois até me deparar com esse livro eu nunca tinha ouvido falar em Ambrose Bierce. Mais à frente no mesmo prefácio, a organizadora e tradutora explica o curioso subtítulo da obra, “histórias de terror sarcástico”, que foi o que me atraiu para essa leitura. Parece que Ambrose Bierce era extremamente cáustico e ferino como jornalista, tendo inclusive feito muitas inimizades por conta de seu sarcasmo. E essa compulsão para a zoeira era tão grande que ele incluía tiradas humorísticas até em seus contos de terror: “Essa ironia chega às vezes a interferir no próprio clima de terror que Bierce, como autor, está tentando criar no leitor. Numa espécie de auto-sabotagem literária, ele interrompe uma narrativa arrepiante para fazer uma brincadeira. E é como se, com uma expressão diabólica, nos dissesse, a nós, leitores: ‘Vamos ver se, depois dessa piada, você continua acreditando.’” Bem que Heloísa Seixas tenta argumentar que essa “originalidade” de Bierce era um arroubo de gênio, mas a essa altura uma vozinha no fundo de minha mente já estava dizendo: “É uma cilada, Bino.” Até porque alguns dados sobre a biografia de Ambrose Bierce, também apresentados nesse mesmo prefácio, indicavam que ele era um carinha bem insuportável. Dentre uma série de vilezas citadas no prefácio, duas se destacaram. A primeira é que ele costumava chutar os cachorros que apareciam em seu caminho, “porque odiava seus latidos, seu cheiro e sua vulgaridade”. E a segunda foi essa: “Conta-se que, ao saber que seu filho mais novo pretendia casar-se com uma moça que desaprovava, Bierce teria acabado com os planos do rapaz inventando que a moça era sua irmã ilegítima.” Entendo que algumas pessoas façam questão de separar a vida e a obra dos artistas em geral e dos escritores em particular. O fato de alguém ter sido um péssimo ser humano não necessariamente impede que seja capaz de produzir autênticas obras de arte. Contudo eu, pessoalmente, não sinto muito interesse em conhecer as obras de pessoas que tenham despertado a minha antipatia. Prefiro diminuir o vasto cabedal de minha ignorância com as obras de tanta gente boa que tem por aí e que a minha vida é curta para explorar devidamente. Eu ainda não havia chegado ao final do prefácio e o tal do Ambrose Bierce já estava me parecendo bastante antipático. Mas um detalhe sobre sua vida (mais especificamente, sobre sua morte) me chamou bastante a atenção: “Em muitas de suas histórias, Bierce já parecia farejar essa morte. (...) Em muitos de seus contos, alguém desaparece sem deixar traço (...). Nunca se soube ao certo o que aconteceu com Ambrose Bierce. Sabe-se apenas que um dia ele anunciou que iria para o México de Pancho Villa, mergulhado numa sangrenta guerra civil. (...) E desapareceu.” Essa estranha coincidência entre vida e obra acabou atiçando novamente a minha curiosidade, juntamente com essas duas citações de Bierce a respeito da literatura: “Escrevo para as almas iluminadas que preferem os vinhos secos aos doces, a razão aos sentimentos, a sagacidade ao humor e o inglês puro às gírias.” “Um romance é apenas uma maneira mais fácil de escrever um conto.” Feliz ou infelizmente, como abundam os exemplos dentro e fora da literatura, criticar algo é bem mais fácil que fazer algo. Como vilão de uma história de terror, Ambrose Bierce é bem promissor. Como autor, nem tanto. Consegui ler três ou quatro contos da antologia antes de abandonar o livro com profundo enfado. Para alguém que viveu uma vida repleta de emoções tão intensas, Bierce escreveu umas histórias bem chatinhas. https://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com/2023/11/alguem-que-chuta-um-cachorro-na-rua.html

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    Ambrose Gwinnett Bierce profile picture

    Ambrose Gwinnett Bierce

    Ambrose Gwinnett Bierce (Condado de Meigs, Ohio, 24 de junho de 1842 — após 26 de dezembro de 1913) foi um crítico satírico, escritor e jornalista estadunidense, particularmente conhecido pela sua obra O Dicionário do Diabo. Definia que "sozinho" era estar em "má companhia". Bierce fez do cinismo, misturado ao humor negro, sua marca registrada. Família, nação, raça humana: nada escapava de suas estocadas, até hoje repetidas nos Estados Unidos.

    59 Livros
    31 Seguidores
    Ohio, Estados Unidos da América

    Ambrose Gwinnett Bierce