Graceling é uma história que me surpreendeu na primeira vez que li em 2014, diferente de muitas outras fantasias a personagem principal é forte e não muda sua personalidade para encantar um homem.
A personagem trás reflexões muito importantes sobre o que significa ser uma mulher em uma sociedade patriarcal e o real significado de ser casada na época, o que não difere muito da nossa realidade, onde a liberdade da mulher era ditada por seus maridos.
Relacionamento principal do livro é saudável no qual nenhum dos dois precisam ser proprietários de seus cônjuges para demonstrar o amor. Algo muito raro em fantasia, onde mulheres são comumente retratadas como propriedade.
Apesar de tudo isso, a leitura é um pouco cansativa, a construção de frases da autora por vezes soa estranha. Mesmo com contexto do que se é ter Graceling dentro desse universo por vezes se torna cansativo o quanto a protagonista consegue ser a melhor em tudo e as vezes excessivamente conveniente, porém é um alívio ver isso em uma personagem feminina e não em seu par romântico. O lado bom deste "super poder" é que diferente de muitos livros da época, finalmente se justifica a heroína ter entrado nessa jornada, já que nesse universo ela é realmente uma pessoa apta a lidar com conflito, comparado ao velho clichê da jovem e que nunca deu um soco querer derrotar a maior ameaça que o mundo dela já viu.
Valeu a leitura e a releitura, diferente de muitos YA a leitura continua divertida e não problemática, o que é um mérito grande a autora considerando a época de lançamento.
Este livro pode ser considerado um stand alone, os outros livros dessa saga se passam com outras protagonista no mesmo mundo, mas sem muita relação. Apesar de que ler todos os livros juntos irão te dar uma maior profundidade nos personagens e do universo criado pela autora.