A Revolução Constitucionalista de São Paulo,deflagrada a 9 de julho de 1932, dentro de um quadro político de grande instabilidade, constitui um dos acontecimentos marcantes da história brasileira contemporânea. As causas do movimento remontam às divergências entre São Paulo e o regime Vargas durante a Revolução de 1930, direcionada em grande parte contra o Partido Republicano Paulista e o sistema político oligárquico que este representava. Tendo como lema da campanha a reconstitucionalização, o desejo imediato dos revoltosos era conseguir controle próprio sobre a administração do Estao, a qual fora arrancada das mãos paulistas pela Revolução de 1930. Nesse sentido, o episódio de 1932 não é apenas "o canto de cisne da aristocracia do café", como tradicionalmente se tem dito. Ele representou o descontentamento de todos os setores da burguesia paulista, não tanto por razões de natureza econômica, mas sobretudo políticas. Cinquenta anos se passaram desde a derrota do movimento atomizado pelo governo Vargas. Apesar de vencida militarmente, essa revolução é um marco histórico nas tentativas de reconstitucionalização da vida política do país e de erradicação das diversas formas dos regimes de força.