Vou contar a verdade para vocês: a leitura desse livro é desgastante e te toma muito tempo. Apesar de ser de 300 páginas (um livro médio), sua leitura é longa e cansativa, uma vez que ele é muito repetitivo e escrito em forma de dicionário.
Parecia que o livro só estava brincando com a diversidade de opiniões: um livro que pode ser lido da maneira que você quiser (desde que você deixe os apêndices pro final! Só uma dica!), que trata do mesmo tempo na visão de três religiões diferentes e, em cada religião, três tempos diferentes. E que ainda tem versão masculina e feminina!
Mas não. Estava enganado. Tudo tem um porque nessa obra do poeta Milorad Pavitch (até as 300 páginas!).
O livro é um quebra cabeças: cada verbete vai encaixando e formando uma trama um tanto quanto fantasiosa, até que no final, o livro mostra sua verdadeira forma. Seu final é inesperado e extraordinariamente belo.
Uma história criativa, fictícia, mágica, filosófica, um pouco erótica em algumas partes e bem formada que se revela no final como um poema: feito de frases bonitas (e tem umas muito bonitas!) e bem colocadas que escondem uma mensagem do autor. Uma mensagem que vale a pena ser lida.
Feito para pessoas solitárias e solteiras (o que não é o meu caso), ele ainda se mostra altamente belo para quem não se enquadra nessa descrição. Desde que ela seja uma pessoa paciente e que não vá desistir de sua leitura só por causa do desinteresse do começo e meio.
Se todas as pessoas lessem esse livro, não existiriam pessoas sem ninguém.