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    A vida está em outro lugar -

    Milan Kundera

    Nova Fronteira
    1991
    383 páginas
    12h 46m
    ISBN-10: 8520903517
    Português Brasileiro
    4.1
    280 avaliações
    Leram541Lendo31Querem606Relendo1Abandonos13Resenhas12
    Favoritos18Desejados606Avaliaram280

    Ao mostrar o desenvolvimento do jovem Jaromil, feito poeta por sua mãe dominadora, o autor questiona a poesia como elemento que reproduz e depura sentimentos e fatos reais. este romance, pouco importa se o cenário de fundo é a antiga Tchecoeslováquia ou qualquer outro ponto geográfico. O autor nos remete a um espaço-tempo metafísico e nos provoca sentimentos que vão da repulsa ao lirismo. Valendo-se do romantismo moderno, Milan Kundera, sustentado por uma solaridade narrativa, apresenta-nos o poeta Jaromil que pode ser a síntese do lirismo e do niilismo ocidental à sombra do regime comunista. Jaromil é a personificação da angústia, do inconformismo, da eterna busca (típica dos estetas) pelo belo e a encarnação do mito grego edipiano. O relacionamento do poeta com sua mãe beira a dependência patológica. Poucas vezes um livro foi capaz de abordar a dor e a delícia do fazer poético com tal profundidade e leveza, resultando num amálgama filosófico-existencial. Além do que, romances sobre poesia costumam esbanjar pieguice e linguagem estereotipada. Definitivamente, A vida está em outro lugar não é um romance para adolescentes que flertam com o colorido da ingenuidade. A história do poeta Jaromil foi arquitetada para nos amadurecer, enquanto nos revela um escriba tocado pela experiência de ser e estar no mundo com um pé na sua época e outro na elasticidade do pensamento humano. É um fato que o livro citado não é o trabalho mais famoso de Milan Kundera, mas, certamente, é o mais questionador. O personagem, a exemplo das criações shakesperianas, rapidamente cria uma identidade no leitor, despertando com facilidade sensações de raiva, empatia, pena e até indiferença. Jaromil é nosso arquétipo para estudos freudianos numa sociedade em que ainda prevaleciam convicções político-partidárias e a criação literária costumava receber o carimbo de subversiva ? bons motivos para a procura por uma sublimação, ainda que ela estivesse em outro lugar. É impossível sair ileso da morte.

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    Resenhas (12)Ver mais
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    Leonardo Gomes19/11/2025Resenhou um livro
    2 (Razoável)

    Confesso que comecei A vida está em outro lugar com bastante expectativa. A proposta do livro é, de fato, muito interessante: acompanhar a formação de um poeta jovem, Jaromil, e ver como essa figura romântica acaba se misturando ao contexto político da Tchecoslováquia, para mim, a leitura não deslanchou. O ritmo é um tanto maçante, e não digo isso pelo estilo literário em si, Kundera escreve muito bem, isso é indiscutível, mas porque a história simplesmente não me envolveu, não consegui criar qualquer vínculo com os personagens, principalmente com Jaromil, que achei insuportavelmente chato. Ele é construído justamente para ser uma figura frágil, egocentrada e ridiculamente idealizada pelas pessoas ao redor, mas isso acabou tornando o livro, para mim, mais cansativo do que provocador. A ideia de criticar o “poeta revolucionário”, que acredita que a arte e os versos o tornam especial e importante, é muito boa. O problema é que acompanhar esse personagem se arrastando entre imaturidade, delírios poéticos e adoração materna ficou repetitivo, não consegui me empolgar com essa trajetória. No fim, A vida está em outro lugar tem reflexões poderosas e questiona a idealização da arte, do artista e até da juventude revolucionária, mas, apesar disso, a leitura simplesmente não me conquistou emocionalmente. A sensação que ficou foi a de que a história tem força, mas não me senti fisgado como deveria.

    12 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.1 / 280
    • 5 estrelas39%
    • 4 estrelas36%
    • 3 estrelas22%
    • 2 estrelas4%
    • 1 estrelas0%
    Milan Kundera profile picture

    Milan Kundera

    Milan Kundera é um autor tcheco. Nascido no seio da erudita família de classe-média do senhor Ludvik Kundera (1891-1971), um pupilo do compositor Leoš Janáček e um importante musicólogo e pianista, o cabeça da Academia Musical de Brno de 1948 à 1961. Kundera aprendeu a tocar piano com seu pai. Posteriormente, ele também estudou musicologia. Influências e referências musicológicas podem ser encontradas através de sua obra, a ponto de poder-se encontrar notas em pauta durante o texto. O autor completou sua escola secundária em Brno, em 1948. Estudou literatura e estética na Faculdade de Artes da Universidade Charles mas, depois de dois períodos, transferiu-se para o curso de cinema da Academia de Artes Performáticas de Praga onde realizou suas primeiras leituras em produção de scrpits e direção cinematográfica. Em 1950, foi temporariamente forçado a interromper seus estudos por razões políticas. Neste ano, ele e outro escritor tcheco - Jan Trefulka - foram expulsos do Partido Comunista Tcheco por "atividades anti-partidárias". Trefulka descreveu o incidente em uma de suas novelas, Kundera usou o incidente como inspiração para o tema principal de seu romance A Brincadeira, de 1967. Em 1956, porém, Kundera foi readmitido no Partido Comunista. Em 1970, porém, foi novamente expulso. Kundera, assim como outros artistas tchecos como Václav Havel, envolveu-se na Primavera de Praga de 1968. O período de otimismo, como se sabe, foi destruído no agosto do mesmo ano pela invasão soviética com exercito do Pacto de Varsóvia à Tchecoslováquia. Kundera e Havel tentaram acalmar a população e organizar um levante reformista frente ao totalitarismo comunista da União Soviética. Permaneceu neste intento até desistir definitivamente, no ano de 1975. Vive na França desde 1975, sendo cidadão francês desde 1980. Seus romances geralmente tratam de escolhas e decepções. Em seus livros é recorrente a crítica ao regime comunista e à posterior ocupação russa de seu país, em 1968, quando foi exilado e teve sua obra proibida na então Tchecoslováquia. Entre outros prémios, Milan Kundera recebeu, pelo conjunto da sua obra, o "Common Wealth Award" de Literatura (1981) e o "Prémio Jerusalém" (1985). Sua obra principal, "A Insustentável Leveza do Ser" ganhou em 1988 uma adaptação para o cinema, sob a direção de Philip Kaufman e com Daniel Day-Lewis, Juliette Binoche e Lena Olin no elenco. Recebeu 2 indicações ao Oscar e reconhecimento mundial. Desde então Milan Kundera nunca mais autorizou a adaptação cinematográfica dos seus romances.

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    Milan Kundera