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    Morreste-me -

    José Luis Peixoto

    Quetzal / Bertrand
    2009
    64 páginas
    2h 8m
    ISBN-13: 9789725648025
    Português
    4.3
    241 avaliações
    Leram313Lendo14Querem334Relendo1Abandonos1Resenhas28
    Favoritos30Desejados334Avaliaram241

    Morreste-me, texto que deu a conhecer o jovem escritor José Luís Peixoto, é uma obra intensa, avassaladora e comovente: é o relato da morte do pai, o relato do luto, e ao mesmo tempo uma homenagem, uma memória redentora. Um livro de culto há muito tempo indisponível no mercado português

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    Resenhas (28)Ver mais
    Paulo Henrique picture
    Paulo Henrique25/10/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Li e reli

    Morreste-me é um livro curto que li ontem e reli hoje. Mesmo breve, o livro passa muitas experiências emotivas escritas sobre alguém próximo que já se foi, que já não é mais. Repleto de memórias, onde cada cena ou objeto desperta imagens e sensações de tempos idos, dos quais agora só restou a saudade (palavra essa que não me lembro ter visto no livro). É muito bonito como os portugueses escrevem o idioma. A escrita é poética, e as palavras parecem carregar mais sentidos do que apenas aqueles que elas têm no dicionário. É como Pujol Filho diz na orelha do livro: “Perceber que, como mesmo dicionário e a mesma gramática, se faz outra língua”. Dentre todos os trechos que gostei, transcrevo aqui um que se trata do tema que mais me fascina: o tempo - ainda mais quando ele está aliado da morte, que nada deixa escapar exceto o tempo. Ei-lo: “Parada no ar, a minha mão dirigiu-se à tua gaveta. E, onde o pousaste cansado, o teu relógio de pulso, ainda à tua espera, ainda a passar os segundos: um outro outro outro: segundos a sobreporem-se ainda, mesmo depois de ti, ainda segundos e tempo, como se nada lhes tivesse alterado o labor ténue de tecer o fio delgado interminável, como se fosse interminável o tempo, o fio ténue, como se não pudesse ser cortado a qualquer instante, a qualquer segundo, como se não tivesse sido cortado, abruptamente cortado, para nunca mais voltar a se unir, nunca mais nos voltar a unir.”

    63 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.3 / 241
    • 5 estrelas49%
    • 4 estrelas33%
    • 3 estrelas14%
    • 2 estrelas4%
    • 1 estrelas1%
    José Luis Peixoto profile picture

    José Luis Peixoto

    É licenciado em Línguas e Literaturas Modernas (Inglês e Alemão) pela Universidade Nova de Lisboa. Antes de dedicar-se profissionalmente à escrita, trabalhou como professor em Praia, Cabo Verde e em várias cidades de Portugal. Tem publicado poesia e prosa. Recebeu o Prémio Jovens Criadores (área de literatura) nos anos 97, 98 e 2000. Recebeu também em 2008 o Prémio de Poesia Daniel Faria, instituído pela Câmara Municipal de Penafiel. Em 2001, o seu romance «Nenhum Olhar» recebeu o Prémio Literário José Saramago. Está representado em diversas antologias de prosa e de poesia nacionais e estrangeiras.

    40 Livros
    140 Seguidores

    José Luis Peixoto