Nefertari, filha de Mutnodjemet acaba sendo a única sobrevivente de sua família, a mal-fadada família reak de Amarna. Conhecida como a sobrinha de Nefertiti, a rainha herege, ela vive no palácio de Seti I, crescendo junto com Ramsés e Asha, seus únicos amigos. Sua árvore genealógica é sua maldição, por causa de seus parentes, ela não consegue ser aceita em lugar nenhum, sendo isolada durante as aulas pelos colegas de classe e diminuída pela realeza e pelo povo no geral. Todos a acham perigosa e portanto não querem ligação nenhuma com ela, muito menos que ela tenha a chance de fazer parte da atual família real. Então a princesa rejeitada cresce sozinha, criada por sua ama de leite, sempre empenhada em aprender o máximo possível
As coisas se tornam piores pra ela quando Ramsés é coroado faraó, como co-regente de seu pai, e lhe é escolhida uma esposa, que seria sua rainha consorte, a bela e sensual Iset. Mas a nova princesa do Egito, vê Nefertari como rival, e passa a lhe tomar tudo que lhe é caro, seus aposentos no palácio são apenas o começo. Desesperada e sendo expulsa da única vida que conheceu, ela sequer pode pedir ajuda à Ramsés, já que sua algoz é exatamente a esposa por quem ela está encantado.
O sopro de esperança vem quando a tia mais jovem de Ramsés lhe estende a mão. Woserit, sumo sacerdotisa de Hathor, vendo o quanto Nefertari é culta e inteligente, oferecendo um local no mundo e na corte, primeiro como sacerdotisa de Hathor, um disfarce para lapidá-la para que pudesse ser aceita como a futura Grande Esposa Real de Ramsés. Mas poderosa Henuttawy, também tia de Ramsés e sumo sacerdotisa de Isis, quer que a menina caia de uma vez em desgraça. É Henuttawy quem indica Iset para esposa de Ramsés, é também é ela que quer Woserit também se afunde com Nefertari e ambas sejam expulsas de vez da corte. Forma-se assim dois núcleos rivais. De um lado Henuttawy e Rarotep, sumo sacerdote de Amon, apoiam Iset. Do outro Woserit protege e apoia Nefertari, ao lado de Paser, vizir do Faraó. Dois times de peso que tramam o tempo todo a derrota do outro, movendo as peças de um tabuleiro que representa não só a corte, mas todo o Egito em si.
Eu esperava que A Rainha Herege seguisse o mesmo nível de Nefertiti, mas tenho a impressão que ele é ainda melhor que o primeiro.
A maneira como Nefertari é descrita nesse livro lhe tira o véu de rostinho bonito para quem o faraó escrevia poemas. Ela é muito inteligente, uma jovem e excepcional poliglota, com verdadeiro tino político que se tornaria uma estadista. Mas a corte e o povo do Egito jamais a aceitariam como rainha pela história de seus antepassados, e ela e seu time vão trabalhando pouco a pouco pra tentar provar que ela é a melhor escolha para reinar ao lado do faraó.
Uma coisa que me agradou bastante nesse livro foi ter trazido à tona a suposta teoria de que Nefertari descenderia de Ay, portanto era parente de Nefertiti e possivelmente filha de Mutnodjemet. Essa teoria existe mesmo, e ela surgiu de um selo encontrado na tumba da rainha com o cartucho de Ay. Como o segundo nome de Nefertari é Meritmut (a amada da deusa Mut), a associação com Mutnodjemet faz bastante sentido. E ver isso transformado em romance foi um deleite total pra mim.
Apesar de Woserit e Henuttawy serem fictícias, os outros personagens de maior destaque são todos históricos. Rahotep foi mesmo sumo sacerdote de Amon, Pasen foi mesmo vizir de Seti I e Ramsés II, assim como Muwatalli, rei dos hitites, era um grande inimigo do Egito. E eu simplesmente amei ver todos esses personagens reais ganharem vida.
Um prato cheio de história real e do lado B do mundo palaciano, cheio de intrigas e jogos políticos que são capaz de tudo, até de matar. Assim como Nefertiti, também se tornou um dos meus favoritos da vida!