E mais uma vez me pego pensando, ao ler um livro dele: mas o que é que se passava nessa cabecinha????
Dessa vez o ponto de partida (ou de chegada) é a redescoberta da famosa espada Excalibur, pertencente ao lendário Rei Arthur. Para contar essa história, Burgess passa pelo naufrágio do Titanic, pelas duas grandes guerras mundiais, pela fundação de Israel e por muito mais! É um prodígio da vívida imaginação esse homem! E mais uma vez eu penso também: Anthony Burgess poderia escrever o livro que quisesse (com a possível exceção do “Ulisses” de Joyce, de quem é grande admirador)... mas os livros de Burgess só poderiam ter sido escritos por ele!
E ainda uma outra vez eu penso: quem será que, além de mim, acha esse cara tão genial??? Pois é certo que os livros dele não são para todos os paladares. Ele sempre dá um jeito de contar a história do ponto de vista mais inusitado possível, e não tem a menor complacência com o leitor, que tem motivos para se sentir culto e inteligente por ler (e entender) um livro dele.
Esse foi o livro mais próximo do estilo de “Poderes Terrenos”, meu livro favorito de Burgess (também autor de “Laranja Mecânica”, transformado pelo Kubrick em uma maravilha do cinema), um de meus autores favoritos. O alto efeito alcançado em sua obra-prima infelizmente não foi repetido aqui, talvez pelo excesso de ironia que tornou a leitura toda um tanto ácida... ainda assim, que viagem, meus camaradas!
Tive uma especial alegria ao perceber que começo a desvendar alguns dos pequenos truques do autor... isso é motivo de grande comemoração para mim, que colocava Burgess no patamar dos semideuses!
Literatura de primeira!!!
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