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    Seus 30 Melhores Contos -

    Machado de Assis

    Nova Fronteira
    1987
    386 páginas
    12h 52m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4.3
    29 avaliações
    Leram63Lendo10Querem28Relendo1Abandonos1Resenhas2
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    gabriel picture
    gabriel18/04/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Incrível seleção de contos do mestre Machado de Assis

    Cinco estrelas é pouco pra esse livro. Paguei míseros dez reais por ele num sebo, em ótimas condições, e foram os dez reais mais bem utilizados nesta minha vida. Os contos são excelentes, só uns três ou quatro que eu realmente não gostei ("não gostei" é meio forte, diria que não me chamaram muito a atenção só), o resto varia do muito bom ao excelente. Machado era simplesmente FODA! A seleção foi feita sob critérios que até hoje eu não entendi, e o prefácio tenta explicar estes critérios, mas só confundem ainda mais a coisa. Mas isso não importa, a seleção é muito boa, mesmo se fossem outros trinta contos é provável que ainda assim fosse muito bom, pois estamos falando de ninguém menos do que Machado de Assis. Os contos variam de tema, de estilo, mas sempre com aquele tom amargo e sem ilusões, que o nosso mestre da literatura nos brindava como poucos. Gostei muito de um dos últimos contos da seleção, o "Suje-se gordo!", e é isso mesmo, não tem vírgula separando o vocativo, o gordo aí é um advérbio e não um substantivo. Conto hilário, a ironia se desenha de forma deliciosa, além de ser bem rapidinho. Acho que o conto não tem nem cinco páginas, mas é excelente, obra-prima do Mestre. Aqui também tem o famoso conto "O Alienista", que é um pouco maiorzinho, quase um livro inteiro mesmo, uma obra também primorosa e muito engraçada. Em vez de comprar por R$ 41,93 na editora uma edição nova, cheias de notas de rodapé irrelevantes (que só servem pra você acertar a questão na sua provinha chata), compre essa que vem com O Alienista e mais vinte e nove contos (na verdade, são mais trinta e dois contos, mas sobre isso explico mais abaixo). A seleção segue uma ordem cronológica, então podemos acompanhar a evolução do escritor, o que é uma coisa muito bacana. Aqui eles incluíram o primeiro conto do Bruxo, que ele escreveu com apenas 19 anos. O conto é meio bobinho, mas ainda assim é bom, e já tem os traços de ironia que fariam dele o excelente escritor que se tornou. É um ótimo registro histórico e muito interessante. Eles também incluíram o último conto do Machado, que ele escreveu já idoso, em 1907, um ano antes de morrer. Então a seleção, muito sabiamente, é "ombreada" pelo primeiro e último conto dele, o que é uma ótima maneira de fechar a seleção. Também incluíram um conto que não foi votado na seleção (feita por escritores e blablablá), que é "O Caso da Vara". Enfim, o prefácio explica porque incluíram mas não dá pra entender o critério, o fato é que aqui são, na verdade, 33 contos, o que torna o livro ainda melhor. Muito bom para quem quer conhecer um pouco mais da obra de Machado, muita gente só conhece as obras realistas dele (que são as melhores), como Memórias Póstumas e Dom Casmurro, mas ele era também um contista de mão cheia, então vale a pena mergulhar nesse gênero também. Ele lançou mais de duzentos contos ao longo da carreira, então pode ter certeza que esta seleção é apenas um pequeno vislumbre no "iceberg machadiano", que tem muita coisa a ser explorada. Ótimos contos, alguns não me pegaram, mas mesmo esses têm algo a dizer e valem uma releitura, é preciso também entender que os contos eram publicados em jornais e revistas da época, servindo a uma leitura leve para o café-da-manhã, então alguns são bastante despretensiosos e levinhos. Um detalhe interessante (dentre muitos ao longo dos contos) está o papel dos braços para como Machado enxergava a sexualidade. Tem uma sequência de uns três contos em que o famoso membro do corpo aparece, sendo sempre objeto de olhares de desejos e gerando uma tensão sexual. É um detalhe um tanto pitoresco, inclusive um dos contos tem isso como um dos temas centrais (conto "Uns braços"), um belo conto em que um rapaz se apaixona por uma mulher mais velha. Também é legal ver como ele inicia os contos, já bem "pá pum", começa começando, e cada um de um jeito diferente, o que torna a leitura muito saborosa. Machado era muito moderno para a sua época, impressionante pensar que este estilo tão dinâmico foi escrito há 150 anos... o cara estava muito à frente do seu tempo. Uma ótima maneira de se aprofundar um pouco mais pelos trabalhos de Machado de Assis, este escritor do século retrasado mas que ainda nos diz muita coisa. O único problema é que, sendo uma seleção dos melhores, depois disso seria só ladeira abaixo (teoricamente), problema que acontece em qualquer seleção do tipo "the best of", mas no caso do Machado acho que não tem esse problema, dado o alto nível do escritor. Vale bem a pena.

    7 curtidas

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    • 5 estrelas45%
    • 4 estrelas41%
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    • 2 estrelas7%
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    Joaquim Maria Machado de Assis profile picture

    Joaquim Maria Machado de Assis

    Joaquim Maria Machado de Assis, jornalista, contista, cronista, romancista, poeta e teatrólogo, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 21 de junho de 1839, e faleceu também no Rio de Janeiro, em 29 de setembro de 1908. É o fundador da Cadeira nº. 23 da Academia Brasileira de Letras. Velho amigo e admirador de José de Alencar, que morrera cerca de vinte anos antes da fundação da ABL, era natural que Machado escolhesse o nome do autor de O Guarani para seu patrono. Ocupou por mais de dez anos a presidência da Academia, que passou a ser chamada também de Casa de Machado de Assis. Filho do operário Francisco José de Assis e de Maria Leopoldina Machado de Assis, perdeu a mãe muito cedo, pouco mais se conhecendo de sua infância e início da adolescência.

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    Rio de Janeiro, Brasil

    Joaquim Maria Machado de Assis