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    Movie Icons - Orson Welles -

    Paul Duncan

    Taschen
    2006
    194 páginas
    6h 28m
    ISBN-13: 9783822821732
    Português Brasileiro
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    No princípio, era aquela voz semelhante à de um deus. "Eu sou Orson Welles", entoava ele. O seu primeiro público foi a América, no coração negro dos anos 30. O seu suporte foi a rádio. O Presidente Franklin Roosevelt também prosperava na altura, usando a sua grande voz para consolar os americanos mergulhados na pobreza pela sua provação e para os prevenir contra os tiranos que avançavam com os seus exércitos através da Europa e da Ásia. Welles desenvolveu um grande interesse por esses acontecimentos. Ele e o produtor teatral John Jouseman encenaram triunfantemente um Macbeth interpretado somente por actores negros (uma resposta ao racismo dos anos 30), Júlio César (idealizado por evocar Hitler e Mussolini) e Fausto (convertido num enorme número de magia, com levitações e desaparecimentos). Quando ambos adaptaram a Guerra dos Mundos de H.G. Wells para a rádio em 1938, o seu formato de um noticiário em directo foi tão eficaz que, dos sete milhões de pessoas que o ouviram, um milhão e meio tomou medidas contra aquilo que ingenuamente julgara ser uma verdadeira invasão marciana. Roosevelt ficou alarmado. Não obstante, tinha uma simpatia pessoal por Welles e encorajou-o a pensar numa carreira na política. Welles encarou a hipótese, mesmo quando Hollywood o chamava. Por toda a sua exuberância libertária, o seu primeiro (e, para a maioria, melhor) filme O mundo a seus pés (Citizen Kane, 1941) é um verdadeiro anúncio publicitário dissimulado de Welles como pensador e potencial líder. O facto de o filme também ter ferido o ego do magnata da imprensa William Randolph Hearst fez do próprio Welles um pára-raios político. A sua carreira em Hollywood descarrilou imediatamente. A sua parceria com Houseman foi por água abaixo. A sua poética saga familiar, O quarto mandamento (The Magnificent Ambersons, 1942), foi mutilada na mesa de montagem. Após a morte de Roosevelt, Welles tornou-se uma figura marginal em Washington, tal como em Hollywood - e assim começou a sua longa e nómada carreira como realizador independente, que ele financiava trabalhando como actor em centenas de filmes, peças radiofónicas, séries de TV e até (mais tarde na vida) anúncios de vinhos. Declamava Shakespeare sempre que lhe era pedido, muito comicamente, com Lucille Ball como Julieta, num famoso episódio de I Love Lucy, e de modo muito comovente no papel de Shylock, aparentemente de improviso (barbeado e de smoking), no espetáculo de variedades de Dean Martin em 1967. "Comecei no topo e trabalhei muito para chegar ao fundo", dizia frequentemente na brincadeira - uma forma sagaz de se defender da possibilidade de outra pessoa o dizer primeiro. Pela altura da sua morte, com 70 anos em 1985, estava injustamente envolto numa aura de fracasso. * Idiomas dos comentários: Espanhol, Italiano e Português de Portugal.

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    Paul Duncan

    É um historiador do cinema cujos livros incluem The James Bond Archives, The Charlie Chaplin Archives, The Godfather Family Album, Taxi Driver, Film Noir e Horror Cinema, bem como publicações sobre cineastas, gêneros de cinema, estrelas de cinema e cartazes de filmes.

    42 Livros
    2 Seguidores

    Paul Duncan