Verão no aquário - Romance

    Lygia Fagundes Telles

    Companhia das Letras
    2010
    232 páginas
    7h 44m
    ISBN-13: 9788535917710
    Português Brasileiro

    De um lado, uma jovem indecisa em tempos de crise de valores. De outro, sua mãe, presença forte e independente. Uma paixão irresistível virá aquecer o conflito entre as duas, num dos romances mais perturbadores da autora. No verão mais quente e abafado de sua juventude, Raíza oscila entre a memória do pai, que entregara sua vida ao alcoolismo, e a figura um tanto alheia de sua mãe, Patrícia, escritora madura que se dedica à criação de mais um romance. O sentimento de rejeição e rivalidade que se apossa de Raíza aumenta diante da ligação misteriosa de Patrícia com o ex-seminarista André - um rapaz tão tímido quanto atraente. Serão amantes? Forma-se assim, na imaginação angustiada de Raíza, o triângulo amoroso que prenderá o leitor de Verão no aquário da primeira até a última página. Nesse segundo romance de Lygia Fagundes Telles, a autora aprofunda os temas que tinha explorado em Ciranda de pedra. Mas avança ainda mais no domínio formal do seu ofício. Escrito no início da década de 1960, tempo de transformações profundas no Brasil e no mundo, o livro se afasta da narrativa convencional. A autora adota o ponto de vista hesitante e aflito de Raíza: experiências, recordações e devaneios se entrecruzam, formando o mosaico desordenado de uma geração colhida pelo desmoronamento da família tradicional, sem que nenhum modelo bem definido viesse ocupar o lugar dela. Assim aquecidas, as paredes do aquário ameaçam se quebrar a qualquer momento.

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    Clio08/06/2024Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    As histórias de Lygia Fagundes Telles parecem manter o mesmo tema: a formação de jovens mulheres. E assim como na vida real, suas protagonistas são personagens multidimensionais cujas ações podem parecer contraditórias, mas que parmenecem conectadas a suas motivaçãoes. No caso, o ciúme. Raíza, que ainda apresenta o narcisismo típico da juventude, se insere num triângulo amoroso que disputa a atenção de André com a própria mãe dela, Patrícia. O jogo de sedução que a ela se dá vai do romantismo shakespearano - com todas as suas nuances dramáticas e fatalistas - até algo que só pode ser descrito como um Complexo de Édipo às avessas. O Aquário do título ora se revela na redoma que protege Raíza das consequências e mesmo ciência de seus atos, ora na posição do leitor que observa tudo do lado de fora e por isso mesmo tem apenas a visão distorcida da narrativa em primeira pessoa de Raíza. É ótimo. Recomendo.

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