Carnaval no Feminino -

    Vários

    Empresa Gráfica da Bahia
    2010
    161 páginas
    5h 22m
    ISBN-13: 9788564035003
    Português Brasileiro

    O livro traz 38 perfis de mulheres que, com suas trajetórias de vida, ajudaram a construir a história do Carnaval de Salvador, sob a perspectiva dos afrodescendentes e da musicalidade e cultura de origem africana.

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    Andreia Santana22/02/2011Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A história do Carnaval baiano através da vivência feminina

    Com o advento das músicas consideradas depreciativas e algumas, até, acusadas de incentivar a violência, o exemplo positivo na associação da folia momesca com a figura da mulher vem de um órgão público. <b><i>Carnaval no Feminino</b></i>, livro-reportagem produzido pela Sepromi – Secretaria de Promoção da Igualdade, supre uma lacuna histórica: mostrar que a trajetória da maior festa popular do planeta é marcada pela presença - e trabalho intenso – de gerações de mulheres que se sucedem na linha de frente e nos bastidores do evento. Concluído em março de 2010, mas distribuído no início deste ano, quando a energia feminina regerá a folia 2011 (a terça-feira de Carnaval cai em 08 de março, Dia Internacional da Mulher), o livro reúne 38 perfis de mulheres que tem fortes laços com a folia, seja porque são artistas e dirigentes de blocos, ou ainda porque trabalham na festa. Não faltam também histórias das matriarcas da folia, que há 60 anos quebraram tabus e preconceitos e conquistaram um espaço à duras penas. <b><i>Carnaval no Feminino</b></i>, com estrutura narrativa constituída por breves introduções e um encadeamento de perfis temáticos, faz a ponte entre as histórias pessoais de cada uma das biografadas e a evolução da festa baiana. As personagens escolhidas tem histórias de puro deleite, mas também de muita decepção. Ainda assim, o tom não é amargo e nem lamuriento. É um belo compêndio de trajetórias pessoais de superação que, ao leitor mais atento e crítico, ajudam a compreender a cultura afrodescendente local. <b>No palco e na rua</b> - Entre os nomes conhecidos da mídia baiana (e alguns até da nacional e internacional), estão no livro: Margareth Menezes, Carla Visi, Márcia Short, Vera Lacerda, Alaíde do Feijão e Negra Jhô. Mas é nas histórias da ialorixá Jercília ou da ex-rainha do Ilê Aiyê Ginga (que usa apelido em referência a rainha Nginga, de Angola), que revela-se a construção de uma teia de solidariedade que remonta às estratégias de sobrevivência da época colonial. Contando sobre o presente, mas em conexão ao passado, <i>Carnaval no Feminino</i> mostra-nos o universo das ganhadeiras, que vendiam comida com seus tabuleiros equilibrados na cabeça e hoje, na barraca ou isopor, tiram o sustento de famílias inteiras em seis noites de insônia. Nas páginas dos perfis está também o passado das caixinhas de pecúlio, para juntar o dinheiro da alforria de outrora, reatualizadas nas “caixas” que angariam fundos para botar o bloco na rua em tempos de patrocínio escasso – e mídia mais escassa ainda - aos grupos de estética e ideologia afro. Não falta a musicalidade herdada da África, que atravessou gerações nos comandos dos terreiros de Candomblé. E, tampouco, deixa-se de tocar na ferida da exploração do trabalho das cordeiras (mais discriminadas que os cordeiros, por serem mulheres), mas que, paradoxalmente, justo na corda é que reside uma das únicas opções dos mais pobres se inserirem na folia, dentro desse contexto de grandes blocos e da indústria de mega trios da axé music. A lamentar, só o fato da tiragem ser restrita a dez mil exemplares distribuídos entre entidades culturais baianas, quando deveria estar também nas livrarias do país. Leitura obrigatória para mulheres – e homens – não apenas afrodescendentes, mas de todas as cores dentro ou fora de Salvador, cidade que como dizem os poetas, tem nome de homem e “alma” de mulher. <b>Ficha Técnica</b>: Carnaval no Feminino / Secretaria de Promoção da Igualdade (Sepromi) / Governo do Estado da Bahia / 161 páginas/ distribuição gratuita/ www.sepromi.ba.gov.br

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