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    Sodoma e Gomorra (Em Busca do Tempo Perdido #4) -

    Marcel Proust

    Editora Globo
    2000
    640 páginas
    21h 20m
    ISBN-13: 9788525042286
    Português Brasileiro
    4.4
    250 avaliações
    Leram426Lendo32Querem1060Relendo0Abandonos7Resenhas22
    Favoritos51Desejados1060Avaliaram250

    Se o “romance-rio” de Proust é uma obra multidimensional, três de suas dimensões se destacam: o aspecto balzaquiano de largo mural romanesco de uma época e de uma classe; a estrutura da obra em si, trabalhada e retrabalhada de modo a intensificar as amarras, os nexos e os desenvolvimentos ao longo dos vários volumes; e as evocações metafóricas. Em Sodoma e Gomorra, desenvolvido em grande parte durante a Primeira Guerra, com as editoras fechadas, Proust pôde aprofundar e alargar essas dimensões, “expandindo seu texto em uma imensa rede de sinais e enigmas”, nas palavras do prefácio.

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    Resenhas (22)Ver mais
    Daniel Boratto picture
    Daniel Boratto15/06/2013Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    "Esse sentimento de brevidade de todas as coisas”...

    ... “que faz com que se queira que cada tiro acerte no alvo e torna tão comovente o espetáculo de todo amor." Cheguei ao quarto volume de “Em Busca do tempo Perdido”. Ultrapassei mais da metade da monumental obra prima de Marcel Proust. Muito já foi escrito e discutido sobre ela - “cair num maremoto” (Truman Capote) , “se perder numa floresta mágica” (André Gide), etc. Mas só mesmo quem se aventura nesta páginas entende a dimensão e a grandiosidade do trabalho de Proust. Exige disposição? Muita. Concentração? Absoluta. Não é livro para ler, por exemplo, no tumulto de um aeroporto enquanto se espera um avião. Não é nada fácil se deixar encantar por tantas páginas, há muitos percalços: frases tão looooongas... As vírgulas vão se sucedendo uma atrás da outra, o leitor as vezes precisa tomar fôlego para prosseguir; não há capítulos dividindo o texto (há partes, poucas, três em 600 páginas), assim como há poucos parágrafos; um narrador que divaga sobre tudo e o tempo todo; tantos e tantos personagens que passam a maior parte do tempo dialogando e dizendo mais nas entrelinhas que diretamente. Mas tem uma hora que o texto “bate”, feito uma droga: de repente você se encanta de tal maneira com o que está lendo que não tem vontade de parar, nem tem vontade de ler qualquer outra coisa. Proust consegue, como nenhum outro escritor que eu já li, tocar sua memória afetiva, despertar suas recordações, mexer com sentimentos comuns a todo ser humano. O leitor tem a sensação de ter passado sua infância em Balbec, de ter tomado chá com sua avó, de ter se apaixonado por uma das raparigas em flor, ter se mortificado de insegurança e ciúmes, e assim por diante. Estas novas edições da Editora Globo são muito bem cuidadas, com prefácio, posfácio e um resumo no final de cada livro que ajuda muito o leitor a não se perder e localizar com mais facilidade trechos já lidos. Infelizmente houve algum problema com o resumo deste volume em particular, “Sodoma e Gomorra”: as páginas não correspondem ao texto (eu mesmo fiz as correções na minha edição). Na página da wikipedia sobre “Em Busca do Tempo Perdido” há uma relação dos personagens da saga que ajuda bastante a lembrar quem é quem em meio a tanta nobreza e não confundir, por exemplo, que há uma Duquesa de Guermantes e que há a Princesa de Guermantes, assim como o grau de parentesco entre tanta gente. Personagens que apareceram nos volumes anteriores voltam a aparecer, e quem você achava que não tinha importância nenhuma na história vai mostrar a que veio. Agora é dar um tempo com outras leituras, melhorar da "ressaca proustiana" para continuar com os três volumes que faltam. Parece perda de tempo ler outra coisa, mas só mesmo comparando leituras a gente aprende que: Há livros e há LITERATURA.

    20 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.4 / 250
    • 5 estrelas56%
    • 4 estrelas26%
    • 3 estrelas15%
    • 2 estrelas3%
    • 1 estrelas0%
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    Valentin Louis Georges Eugène Marcel Proust

    Escritor francês cuja obra <i>Em Busca do Tempo Perdido</i> (1914-1927), composta de sete livros, é considerada um dos melhores romances do século XX. Nascido em Paris, asmático e de família rica, é cercado de cuidados durante a infância. Aos 35 anos sua asma se agrava e o torna um inválido crônico. Passa o resto da vida quase sem sair de casa, trabalhando em sua grande obra. Sua produção literária se inspira nos costumes da alta burguesia parisiense e abre novos caminhos no campo da narrativa, ao adotar um estilo não-linear de expressão da simultaneidade dos acontecimentos. Sua ficção foi conhecida por transformar textos confessionais em romance, através da introdução da ideia da lembrança involuntária. Para Proust, as sensações são indestrutíveis e o passado pode ser reconquistado por força de uma iluminação produzida pelo acaso. Ao artista cabe recuperar o material fornecido por essas iluminações. Proust foi vencedor do prestigioso Prêmio Goncourt na França. A influência de sua obra sobre escritores como Virginia Woolf, Graham Greene e Vladimir Nabokov atesta a consagração internacional que ocorreu após sua morte.

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    Valentin Louis Georges Eugène Marcel Proust