Alonso Rocha não é apenas um poeta raro. Como poucos, soube unir, homem-poeta, a delicadeza dos gestos à sutileza verbal, que diz sem dizer, confessa-se sem ter cometido pecado (de nenhuma natureza) e mente, escandalosamente, sem jamais haver precisado dizer a verdade, seja ela qual for. O poeta que aqui está, "finge tão completamente", que a palavra, como ensinou, pelo poema, Paulo Plínio Abreu, convertida em emoção, "dissolve em poesia". À moda de Ruy Barata, posso dizer que quem deu a Alonso Rocha a poesia, sabia o que estava dando. E mais. Quem lhe deu a poesia - e isso só pode ter sido coisa de Deus! - sabia a quem estava dando. Alonso não é príncipe dos poetas por acaso. Alonso sempre foi príncipe com direito à própria sucessão no reino da palavra.