Não é um livro qualquer, de fato, consegui ver traços do Pessoa na obra. Para quem o conhece por seus inúmeros heterônimos é difícil assimilar este lado linguístico do Fernando Pessoa.
O livro, que mais me parece um ensaio, trata sobre algumas questões relacionadas com as línguas.
A primeira que gostaria de destacar é a diferença entre a língua falada e a língua escrita. A língua falada dispensa comentários, afinal o tema de preconceito linguístico não é atual. Já a língua escrita não deve ser moldada em convenções, não deve moldar o autor. Ela deve ser moldada para a obra em si. Dando assim a chamada "liberdade poética" ou "identidade poética".
O segundo ponto é a questão etimológica, como sabido, a formação do vocabulário tem duas origens basilares, o latim e o grego. E Pessoa aponta para uma verdade perdida, se existe uma língua que deveria ser universal, seria o latim, afinal as obras seriam escritas em um idioma amplamente estudado em gerações passadas que teria maior alcance e hoje, por questões políticas, econômicas e sociais o latim, assim como o grego perderam-se. Dando espaço para as línguas mais faladas, no caso, o inglês.
O terceiro ponto que achei interessante é que a quantidade literária (escrita em determinada língua) não faz com que a mesma tenha sua existência e permanência consolidada, como fora provado através dos grandes clássicos gregos. A disseminação da literatura e consequentemente da tradução fez com que as obras fossem facilmente propagadas em inúmeros idiomas, em geral, o inglês. O que torna as obras acessíveis pelo simples fato que o leitor não precisa dedicar horas, anos, etc de aprendizado em filologia para poder ter acesso às obras.
Por fim, é uma sensação diferente encontrar no Pessoa um texto linguístico, que apesar de ter baseado esta obra em uma análise das línguas, ainda consegue ser poético e acessível.