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    O Punho e a Renda -

    Edgard Telles Ribeiro

    Record
    2010
    560 páginas
    18h 40m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    3.6
    36 avaliações
    Leram53Lendo3Querem62Relendo0Abandonos5Resenhas2
    Favoritos1Desejados62Avaliaram36

    Neste seu novo romance que já vem sendo considerado uma obra-prima da ficção política e seu mais importante trabalho, Edgar Telles Ribeiro, escritor e diplomata, mergulha nos bastidores das embaixadas, revelando suas tensões e disputas. Não se trata, porém, do rendilhado charmoso da vida social das rodas diplomáticas - Edgard abre, pela primeira vez no Brasil, uma caixa preta: tendo como tema a ditadura brasileira e as formas de opressão que o sistema gerou no período do regime militar (1964-1985), a obra revela os subterrâneos sinistros da Operação Condor e lida com os grupos de direita que atuaram dentro do Itamaraty nessa época. Aborda complôs para derrubar governos, cumplicidades com torturas, a sede de subir na carreira. A história é narrada por um diplomata mais jovem, que reconstitui ao longo dos anos o progressivo envolvimento de um determinando colega e amigo, a quem muito admira, com um grupo clandestino ligado ao SNI, a grupos de direita em terceiros países e à CIA. O amigo, Marcílio Andrade Xavier (mais conhecido como Max, por suas iniciais), é brilhante, sofisticado, elegante, bem sucedido. Por suas habilidades especiais, é cobiçado por olheiros de mais de um serviço secreto. A trama passa por Inglaterra, Uruguai, Chile, Estados Unidos e, é claro, Brasil. Uma história que esperou quarenta anos para ser contada, e "precisou amadurecer e passar pelos filtros da ficção, onde a construção consciente da arte reinventa a realidade numa tessitura semelhante ao que o inconsciente faz com os sonhos: condensa aqui, substitui ali, redistribui acolá", nas palavras de Ana Maria Machado, que assina a orelha. O livro traz também o imaginário da época, as dores e frustrações de quem começou a vida adulta nos anos de chumbo e do "desbunde", das mudanças comportamentais, das drogas. As duas faces: punhos e rendas.

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    Rubens Pereira da Silva Filho27/08/2018Resenhou um livro
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    Sim e Não

    O mundo da diplomacia é complexo e formando por muitos funcionários de carreira que ascendem, estabilizam ou derrocam conforme desempenho próprio ou conveniência de superiores. Ministro de primeira classe, que é embaixador. Ministro de segunda classe, Conselheiro, Primeiro-secretário, Segundo-secretário, Terceiro-secretário formandos pelo sacrossanto Instituto Rio Branco em Brasília. Função primordial dos diplomatas de todos os escalões é representar a terra pátria no exterior, articulando assuntos de interesse bilateral ou multilateral. Em O Punho e a Renda do escritor e diplomata brasileiro Edgard Telles Ribeiro conta de modo ficcional, assim ele enfatiza, mas eu desconfio um bocado disso, do mundo diplomático durante a ditadura militar que começou com golpe de 1964 e que oprimiu o Brasil por mais de duas décadas. O narrador do livro descreve seu inicio no Itamaraty, que é o apelido do nosso Ministério das Relações Exteriores, como diplomata júnior. E em um dia marcado como o mais triste da historia brasileira recente, a emissão do Ato Institucional Número Cinco, ele é convidado para almoçar por uma estrela do corpo de funcionários do Ministério. Ali nasce uma amizade baseada mais na admiração intelectual mutua do que na compatibilidade de personalidades. Max que é a estrela brilhante, sedutora, atraente e invejada, tem uma escalada rápida, devido a uma oportunidade bem aproveitada, na diplomacia nacional e é escalado para servir a nação num posto no Uruguai. Lá ele é logo adotado pelo embaixador que está quase de partida para a capital brasileira onde exercera influencia sobre o ditador. Mas antes de ser substituído arruma a casa de modo a poder continuar com o seus planos para a América do sul. Plano esse que seria aplicar o modelo de governo militar aos países vizinhos. Nisso entra toda a sorte de conspirações e espionagem que realmente aconteceu no período. Max era o intermediário, que articulava os contados com os militares e empresários sul-americanos. E também araponga, termo da época, da CIA e do MI6. O romance tem como linha geral de construção seis longos diálogos que atravessam capítulos inteiros. Dois com Max, em períodos bem separados no tempo e com mudança nítida de tratamento. Um com desprezo por saber que o colega trabalhou ativamente e por vontade própria para o regime militar e outro por ter que reconhecer que os atos execráveis foram esquecidos e, além disso, renderam futuros prêmios profissionais. Com Marina que foi esposa de Max, vemos como a garota rica se entusiasma com a possibilidade de fuga da vida protegida e entediante, mas no final é um desterro rodeado pelo séquito da Embaixatriz. Ainda tinha o medo do exilados que a evitavam pela a associação com a repressão. Ela entrou num circulo de filhos, drogas, bebida e a culpa de ter dividido a cama com um colaborador. Duas outras figuras vêm como pretexto para situar as informações censuradas e confidenciais que circulava a boa pequena na época. Um adido militar que gostava de conversa muito quando comia e bebia bem, dele se sabe boa parte das incursões subterrâneas de Max. E outra, de um agente aposentado da CIA que revela o mirabolante plano Brasileiro de conseguir a tecnologia nuclear bélica. Edgard Telles Ribeiro escreve no começo do livro aquele lembrete que está no final dos créditos dos filmes. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é pura coincidência. Logo de inicio eu percebi que o personagem central, Max, é uma mistura de varias pessoas que ele deve ter conhecido no período. Acredito que juntou funções e características de muitos atores obscuros e famosos num único ser multifacetado neste livro. No caso de Marina, além de pintar a simbólica figura feminina aristocrática que só deve estar impecavelmente vestida e organizar festa de recepção memoráveis, tem a solidão cultural e o flerte com experiências pouco condizentes com condição de esposa de diplomata. Ali eu vi algo bem pessoal do escritor, que como já falei é diplomata. Acho que ele reuniu no livro o que viu, ouviu e participou, mesmo que levemente, no serviço diplomático. E muito detalhado para ser invenção pura. O golpe de Estado no Brasil derrubou em abril de 1964 o governo de João Goulart. A ditadura civil-militar no Uruguai começou em junho de 1973. No mesmo ano houve o golpe de Estado no Chile que matou o presidente eleito Salvador Allende. O que liga esse três eventos foi à participação ativa da CIA que incentivou o medo a ameça a comunista e desestabilizou os serviços de base nesses paises. Com os regimes instituidos a Central Intelligence Agency treinou a policia de repressão nas tecnicas de obtenção de informações. Tortura e vigilancia preventiva, coisa que os sulamericanos pegaram gosto e inventaram novos metodos. Operação Condor foi um roteiro saido de Hollywood, mas teve aplicação real...

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    Edgard Telles Ribeiro

    Escritor e diplomata, Edgard Telles Ribeiro foi também jornalista, cineasta e professor de cinema. Seu romance de estréia, O criado-mudo, foi lançado nos Estados Unidos, Alemanha, Holanda e Espanha. Um de seus contos (do livro No coração da floresta) foi incluído em antologia sobre literatura latino-americana contemporânea lançada nos EUA pela Plume/Penguin Books. Seu romance Olho de rei (Record, 2006) recebeu o Prêmio da Academia Brasileira de Letras para Melhor Obra de Ficção 2006 (categoria romance, teatro e contos). Seu livro de contos, Histórias mirabolantes de amores clandestinos (Record, 2005), ficou em segundo lugar no Prêmio Jabuti.

    23 Livros
    7 Seguidores

    Edgard Telles Ribeiro