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    O prisioneiro -

    Erico Verissimo

    Companhia das Letras
    2008
    168 páginas
    5h 36m
    ISBN-10: 8535911987
    Português Brasileiro
    4
    405 avaliações
    Leram768Lendo17Querem396Relendo1Abandonos17Resenhas32
    Favoritos10Desejados396Avaliaram405

    No palco de um país dilacerado pela guerra, este romance alegórico de Erico Verissimo censura os desatinos da violência e expõe os dilemas de um homem em situação extrema. Envolvido numa guerra fratricida em terra estrangeira, um tenente prestes a voltar a seu país presencia uma cena dramática: uma bomba destrói o bordel onde ele estava poucos momentos antes e mata a moça por quem se apaixonara. Um dos terroristas, capturado logo depois pelas forças aliadas, é um jovem de apenas dezenove anos cujas feições o remetem à amante morta. O coronel encarrega o oficial de interrogar o prisioneiro e descobrir o paradeiro de uma segunda bomba. Não há tempo a perder. O tenente tem duas horas para obter a verdade. Escrito em 1967, o romance se inspira nos eventos da Guerra do Vietnã. Erico Verissimo descreveu-o como "fábula moderna sobre vários aspectos da estupidez humana", entre os quais a guerra e o racismo. O tenente negro sofre preconceito em sua terra natal. Reluta se deve ceder à engrenagem - a mesma que tirou a vida de seu pai. A vida e a dignidade de um homem valem menos do que a vida das muitas pessoas que o tenente poderia salvar? Os fins justificam os meios? Romance de conteúdo antibelicista com profunda repercussão moral, O prisioneiro suscita questões urgentes ainda em nossos dias.

    Edições (4)

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    Filipe Quevedo picture
    Filipe Quevedo12/01/2018Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Verissimo, eu, e uma nova fase

    <i>"Não estaria longe o dia em que os homens todos fossem apenas números num computador descomunal. E esse computador bem poderia então transformar-se no deus duma nova era."</i> Excetuando os livros da saga O tempo e o vento, Erico, se não me engano, publicou 11 romances (considerando Noite um romance). Já li 8 dos 11. O prisioneiro é o nono e o primeiro dos três livros com cunho mais político. Os outros dois (que lerei esse ano) são: O Senhor Embaixador e Incidente em Antares. Este é, portanto, o primeiro livro de uma nova fazer com o autor. Penúltimo romance do autor, O prisioneiro foi lançado em 1967, enquanto aconteciam os conflitos no Vietnã (sobre os quais o livro versa). Na resenha de Saga eu admiti que não me apetece muito o estudo sobre Guerras, não consigo ter um interesse sincero pelo assunto e, por isso, não tenho mais que o conhecimento básico sobre elas. Contudo, posso dizer que não existe a necessidade de conhecer amplamente o tema para ler esse livro pois Erico explora principalmente os reflexos do conflito em suas personagens. O que salta aos olhos não é tão somente as suas, por vezes, explícitas críticas sobre as questões políticas da guerra, mas também e sobretudo a mensagem e reflexão humanista presente na obra. Além disso há discussões de temas políticos, sociais, raciais, culturais, morais, ideológicos. Acho que não há um livro de Verissimo que deixe de falar profundamente sobre o lado humano, sobre as pessoas e sobre as sociedades nas quais estas vivem. Esse certamente é o maior motivo para gostar tanto do autor; é isso o que mais aprecio em suas obras. <i>"— Mas acredita que este povo esteja suficientemente maduro para a liberdade? — Não se trata de estar ou não maduro. Todo ser humano tem um direito natural à liberdade. E, afinal de contas, quem é que vai decidir no mundo que povo está ou não maduro, que tem ou não direito à liberdade? Vocês? Por quê? Porque são fortes econômica e militarmente? Ou porque são os representantes da vontade divina na Terra?"</i> Depois de eu pensar que o resto da narrativa se resumiria a contínua exploração psicológica dos personagens, sem quase nenhuma cena nova, veio a surpresa. Faltando algo em torno de 60 páginas para o fim do livro, a trama, quase nula como geralmente é nos livros do autor, dá uma guinada. Uma série de pequenos acontecimentos culmina na determinação de um Coronel ao seu subordinado para que este faça um interrogatório. O Objeto desse interrogatório é um prisioneiro de 19 anos, que tem em seu poder uma informação capaz de evitar a morte de dezenas de civis. Este livro não começou lá muito bom mas a história cresce com o virar das páginas até o ponto de tornar o livro excelente. Ah, e o final pode surpreender...

    14 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4 / 405
    • 5 estrelas36%
    • 4 estrelas34%
    • 3 estrelas23%
    • 2 estrelas5%
    • 1 estrelas1%
    Erico Lopes Verissimo profile picture

    Erico Lopes Verissimo

    Erico Lopes Verissimo (1905 - 1975), nascido em Cruz Alta (RS), foi um escritor brasileiro. Com uma prosa simples e de fácil leitura, tornou-se um dos escritores mais populares da literatura brasileira. Em 1932, publicou seu primeiro livro, ‘Fantoches’, e em 1938 obteve sucesso com o romance ‘Olhai os Lírios do Campo’, que lhe deu projeção nacional como escritor. "Posso afirmar que só depois do aparecimento de 'Olhai os Lírios do Campo' é que pude fazer profissão da literatura". Seu trabalho mais conhecido, todavia, é a trilogia ‘O Tempo e o Vento’, publicada entre 1949 e 1962. Trata-se de um romance histórico que se situa em diversos momentos da história do Rio Grande do Sul. Embora não possuísse diploma de curso superior, Verissimo lecionou literatura brasileira nos Estados Unidos e foi diretor de revistas. Em 1971, lançou ‘Incidente em Antares’, uma obra crítica ao regime militar brasileiro. Na periodização literária, Verissimo pode ser enquadrado na segunda fase do modernismo no Brasil, caracterizado pelos romances regionalistas. Verissimo retratou em suas obras aspectos sociais, políticos e históricos do Rio Grande do Sul. Seus romances são marcados pela abordagem realista dos personagens e da sociedade, explorando temáticas como as desigualdades sociais, as relações familiares, o contexto político e as transformações históricas. Um dos principais aspectos de sua escrita é a capacidade de retratar a psicologia dos personagens, explorando suas motivações, dilemas e conflitos internos. Além disso, Verissimo demonstra sensibilidade ao retratar o cotidiano, a vida simples e os dramas humanos. Verissimo também escreveu obras em outros gêneros, como ficção didática (Viagem à Aurora do Mundo), literatura infantil (Os Três Porquinhos Pobres) e uma autobiografia (Solo de Clarineta). CONTOS Fantoches – 1932 Chico – 1932 As mãos de meu filho – 1942 O ataque – 1958 Outros contos – 1972 ‘Os devaneios do general’ ‘O navio das sombras’ Galeria fosca – 1987 ROMANCES Clarissa – 1933 Caminhos cruzados – 1935 Música ao longe – 1936 Um lugar ao sol – 1936 Olhai os lírios do campo – 1938 Saga – 1940 O resto é silêncio – 1943 O tempo e o vento (1ª parte) — O continente – 1949 O tempo e o vento (2ª parte) — O retrato – 1951 O tempo e o vento (3ª parte) — O arquipélago – 1962 O Senhor Embaixador – 1965 O prisioneiro – 1967 Incidente em Antares – 1971 LITERATURA INFANTOJUVENIL A vida de Joana d'Arc – 1935 As aventuras do avião vermelho – 1936 Os três porquinhos pobres – 1936 Rosa Maria no castelo encantado – 1936 Meu ABC – 1936 As aventuras de Tibicuera – 1937 O urso com música na barriga – 1938 A vida do elefante Basílio – 1939 Outra vez os três porquinhos – 1939 Viagem à aurora do mundo – 1939 Aventuras no mundo da higiene – 1939 Gente e bichos – 1956 NARRATIVAS DE VIAGENS Gato preto em campo de neve – 1941 A volta do gato preto – 1946 México – 1957 Israel em abril – 1969 AUTOBIOGRAFIAS O escritor diante do espelho – 1966 (em ‘Ficção Completa’) Solo de clarineta – Memórias (1º volume) – 1973 Solo de clarineta – Memórias 2 – 1976 (ed. póstuma, organizada por Flávio L. Chaves) ENSAIOS Brazilian Literature – an Outline – 1945 Mundo velho sem porteira – 1973 Breve história da literatura brasileira – 1995 (tradução de Maria da Glória Bordini) BIOGRAFIA Um certo Henrique Bertaso – 1972 COMPILAÇÕES Suas obras foram compiladas em três ocasiões: Obras de Érico Veríssimo – 1956 (17 volumes) Obras completas – 1961 (10 volumes) Ficção completa – 1966 (5 volumes)

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    Rio Grande do Sul, Brasil

    Erico Lopes Verissimo