Segundo livro publicado por Manoel Carlos Karam, sendo também o segundo da "Trilogia de Alhures do Sul" - vindo esse após o "Fontes Murmurantes" que dá início ao trio -, "O Impostor no Baile de Máscaras" segue com a marca registrada do autor que se apresenta como uma escrita que jocosamente se situa no abstrato - mesmo partindo de histórias concretas. Por mais não possua uma ordem concatenada, pretensamente assim escrita a obra, a história traz relatos e vivências de sete protagonistas que passam por peculiares situações na cidade de Curitiba - que é e ao mesmo tempo não é (mera coincidência?) o ambiente em que se situam as histórias. É uma prosa típica de Karam. Benjamin ama música, Hopalongue é aficionado por cavalos, Maria gosta de assistir a chegada dos trens na estação, Marta é uma atriz de teatro, Oliveira relata histórias com disfarces, Serafim acha complexa a vivência no final de século e Silvestre reconhecidamente anda e fala sozinho. São esses os sete protagonistas que compõem "O Impostor no Baile de Máscaras" (e quem seria o impostor?), cujos episódios vivenciados por cada um são expostos em recortes não ordeiros que surgem nas páginas do livro. Na nota de orelha do livro escrita por Nelson de Oliveira está escrito que "a prosa de Karam é um poderoso veículo de abstração, capaz de enlouquecer e erotizar tudo o que toca". E assim de fato é. Ao mesmo tempo em que se estranha a forma não linear utilizada pelo autor para contar histórias pinceladas das sete personagens principais presente no livro, há um encantamento próprio que se faz presente e convence o leitor a prosseguir com a leitura gostando daquilo que lê. Como não achar agradável uma literatura que justifica o fato de o personagem Holapongue gostar de cavalos, mas não ter nenhum, com o reconhecimento de que há quem goste de elefantes e também não os tem? O divertimento com a leitura é certo.

