Uma pequena obra-prima do romance policial!!!
O porto de Ouistreham durante o inverno bem poderia ser chamado de Hades: uma espessa bruma envolve todas as coisas, transformando as pessoas em meros vultos na neblina, vozes no vazio. A paisagem é inexistente: só é possível perceber algum indício de civilização ao se adentrar na taberna mal iluminada e impregnada de odores. Beba uma caneca fervente de grogue, para espantar o frio dos ossos, e compartilhe com os marinheiros o silêncio repleto de uma expectativa angustiosa.
É nesse cenário que Maigret precisa mergulhar para desvendar o mistério por detrás da bizarra cadeia de acontecimentos que culminam no assassinato de um homem. Ele precisa se embrenhar na atmosfera, sentir as pessoas, capturar a essência do local, se ambiciona um dia chegar à verdade. Que não espere encontrar muita ajuda: uma conspiração de silêncio sela a boca de todos que poderiam trazer alguma luz ao caso.
Sorte que Maigret está em sua melhor forma, “no vigor de seus anos”. Ele está mais intuitivo do que nunca, tirando um coelho atrás do outro da cartola, capturando no ar espesso fragmentos de pistas que o fazem pouco a pouco ir tecendo uma teia complexa e repleta de paixões humanas.
Não leia esperando uma Agatha Christie, que a decepção será certa. A viagem de Simenon é bem diferente. Seu romance policial é menos “policial” e mais “romance”. No sentido de que o jogo de detecção existe, sim. Mas é apenas o pretexto para um mergulho profundo na natureza humana.
Viva Maigret!!!
(20.05.11)
Comunidade Resenhas Literárias
Aproveito para convidar todos a conhecerem a comunidade Resenhas Literárias no Orkut, um espaço agradável para troca de ideias e experiências sobre livros:
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