Alice in Zombieland (2009) é um exemplo de mashup. Este, consiste em uma obra que utiliza um cânone ( já em domínio público) mesclado a elementos diversos. No caso deste livro, podemos dizer que é um monster mashup. Sobre o autor, Nickolas Cook é editor chefe de The Black Glove Magazine e crítico de ficção de horror. Entre suas obras estão The Black Beast of Algernon Wood, Paint in Black, A Kind of Blue e Baleful Eye. Em Alice in Zombieland Cook revisita o clássico de Carroll acrescentando à narrativa original elementos pós-modernos como os zumbis. Isso pode ser percebido já na capa do livro em que o ilustrador Brent Cardillo reproduz a ilustração original de Sir John Tenniel incluindo zumbis e suas características principais. O ambiente da morte está bem acentuado pela ausência de cores, ou melhor, no destaque dado ao vermelho no título da obra e no vestido de Alice, que remetem ao sangue. Ademais, as cartas foram substituídas pelo zumbi Chapeleiro e os animais de Tenniel ganharam feições monstruosas, combinando com o universo apocalíptico.
Além disso, em Alice in Zombieland os personagens emblemáticos de Carroll foram reiventados por Cook, o Coelho Branco transformou-se em um rato, o Black Rat; o Chapeleiro Maluco permanece Chapeleiro, porém um morto-vivo e o Gato de Cheshire tornou-se ainda mais assustador em sua versão zumbiresca.
O mashup inicia quando Alice faz um passeio por um antigo cemitério e ela encontra, não um coelho branco, mas um misterioso rato preto. Ela o segue até uma sepultura aberta , bate a cabeça na lápide e em seguida, ela cai e cai, enquanto vê ossos apodrecidos, crânios e outros símbolos assustadores até atingir o fundo. Além dos personagens citados acima, outros também fazem aparição, contudo zumbificados, como a Lebre Morta e a Rainha Vermelha, igualmente morta. A própria protagonista, além de ser atormentada pela vívida curiosidade enfrenta o desafio de encarar mudanças em si mesma. No decorrer da história Alice vai se tornando fria e sua pele adquire um tom pálido de azul, além de seus dentes estarem apodrecendo. A heroína de Carroll aos poucos se transforma em um zumbi.
O ambiente fantasioso do clássico permanece no mashup. Entretanto, enquanto Carroll coloca em seu livro componentes de sua vida pessoal e as características de sua época como as expressões “louco como um chapeleiro” e “louco como uma lebre de março”comuns à era vitoriana, Cook adiciona elementos de seu tempo pós-moderno, os zumbis.
Outrossim, Cook se apropria do cânone e constrói uma narrativa contemporânea que pode fazer o leitor rir ou tremer e ainda, ele muda a história o suficiente para torná-la nova, ao mesmo tempo em que não apaga a complexidade deixada pelo original.