👻
O livro conta a historia da jovem Camila que vai passar as férias na fazenda de seus tios. Lá ela encontra seu primo Érico e sua prima adotiva Analu. Tentando dar vida a nova Camila que desejava ser após fazer terapia, mudar o visual e enfrentar sua insegurança, a jovem embarca para o mundo de aventuras de um local aparentemente assombrado. A historia de total suspense e que faz a leitura ser intrigante revela no final que Analu se fazia passar pelo fantasma de Ana Carolina, uma garota morta há anos, filha de uma baronesa que morara no casarão vazio. O trauma de ser novamente abandonada, como fora um dia por seus pais verdadeiros, faz a jovem agir por medo e desespero, criando e adotando para si a personalidade de uma morta. Foi à maneira não muito apropriada que ela encontrou de se defender, mostrar-se forte e tentar ser independente. O livro serve para uma boa análise psicológica sobre pessoas que misturam a realidade com a fantasia. Embora seja um livro de historia simples e pequena, serve de alerta ao perigo que uma pessoa aparentemente normal pode apresentar, pois, nos últimos capítulos, Analu tenta matar Camila utilizando-se do espírito de Ana Carolina, pois a culpa recairia sobre um fantasma. E ela não estava agindo por maldade, mas por receio de perder seu amado Érico para Camila, já que ambos, embora fossem primos, estavam apaixonados. Apropriar-se do fantasma de Ana Carolina foi à única forma que Analu encontrou de despertar os sentimentos do ‘irmão’ para si, mesmo que para ele fosse inaceitável sentir-se apaixonado por uma morta. É uma leitura muito gostosa e da qual pode-se refletir sobre vários aspectos e constatar que, muitas das vezes, o que está por trás do mal e da iniqüidade humana é um desejo imbatível e estrondeante de amar e sentir-se amado. Não é a toa que a falta de amor é o maior castigo na vida humana e, conseqüentemente, a maior justificativa (geralmente inconsciente) para tantas atrocidades. É por isso que creio no verso que diz: ‘O mal não existe; o que existe é a ausência do amor’. Com amor não precisaríamos de mais nada, muitíssimo menos de violência, guerra, fome, destruições, suicídios, assassinatos e mortes coletivas.