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    São João da Cruz - Subida do Monte Carmelo

    São João da Cruz

    Paulus
    2010
    354 páginas
    11h 48m
    ISBN-13: 9788534931441
    Português Brasileiro
    4.6
    6 avaliações
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    São João da Cruz, grande mestre espiritual, é ponto referencial para todos os "buscadores de Deus". O místico carmelita descalço não pertence só ao Carmelo, mas é patrimônio da humanidade. Ele atinge pessoas de várias religiões e orientações, e estas encontram nele um mestre seguto nos caminhos do espírio. Seus escritos não falam de coisas passageiras, mas de valores permanentes e eternos. Tocam a essência de Deus e do ser humano. São dois os grandes protagonistas da doutrinha de São João: de um lado, o ser humano inquieto, errante, que traz em si a angústia do infinito, passando pelos vazios necessários e as noites indispensáveis para chegar à luz, à paz, a Deus. Do outro lado temos Deus, que, sedento de se encontrar com o ser humano, corre também à sua procura. "Se é verdade que o homem procura a Deus, tanto é verdade que Deus procura o homem."

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    Leonardo Marques03/01/2021Resenhou um livro
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    Direcione o espírito à Cristo e fuja do sobrenatural

    Alguns destaques que muito aprecio para reflexão e permanência no caminho de Deus contidas neste livro: Posição 420: “Todo o poder e toda a liberdade do mundo, comparados com a soberania e a independência do espírito de Deus, são completa servidão, angústia e cativeiro.” Este destaque que fiz do livro de São João da Cruz é para lembrar-me de uma das coisas que mais me deixava reticente a aproximar-me novamente à Igreja católica, que é o caso da liberdade se encontrar em Deus e nas coisas de Deus. Hoje o que mais se prega por aí é a libertinagem, travestida de liberdade, que mais é um caminho para a perdição e prisão em tudo aquilo que não é próprio para o ser humano representar o corpo de Cristo do que liberdade em si. Posição 548: ‘"Padecerão fome como cães e rodearão a cidade; e, se não se fartarem, ainda murmurarão" (Sl 58,15-16). Tal é o estado de quem se abandona aos seus apetites: vive sempre inquieto e descontente como um faminto.’ Posição 563: ‘"Fatigado ainda tem sede, e sua alma está vazia" (Is 29,8).’ Posição 566: ‘"Depois que se fartar, padecerá ânsias, e se abrasará; e toda a sorte de dores virá sobre ele" (Jó 20,22).’ Os três destaques acima reforçam um pouco sobre a apreciação das coisas temporais que nada tem que ver com liberdade e não preenchem a alma, pelo contrário, faz com que esta fique cada vez mais insatisfeita, querendo mais e mais daquilo que parece preencher, quando o que se deve buscar é o esvaziamento. Posição 751: “quanto mais numerosos são os objetos em que se reparte, tanto menos intensidade de afeto emprega em cada um deles.” Destaque para eu me lembrar que dispersar-me em várias atividades fará com que eu empregue pouco afeto em cada uma delas. Posição 1261: Se o raio de sol vier refletir-se sobre um vidro manchado ou embaciado, não poderá fazê-lo brilhar, nem o transformará em sua luz de modo total, como faria se o vidro estivesse limpo e isento de qualquer mancha; este só resplandecerá na proporção de sua pureza e limpidez. O defeito não é do raio, mas do vidro; porque, se o vidro estivesse perfeitamente límpido e puro, seria de tal modo iluminado e transformado pelo raio que pareceria o mesmo raio, e daria a mesma luz. A fim de nos alertar sobre as experiências espirituais, São João da Cruz majestosamente nos explica que o que deve ser feito em nós para receber a Cristo é a purificação, o esvaziamento dos sentidos e do entendimento para receber Deus, rejeitando tudo aquilo que possa nos ocorrer de sobrenatural, ainda que muito nos pareça que o sobrenatural ocorrido tenha vindo de Deus, pois, mesmo que esta última ocasião ocorra e estivermos procurando não desviar nossa atenção para os acontecimentos sobrenaturais, receberemos a luz de qualquer maneira, ainda mais perfeitamente, por não dar muita, ou nenhuma, atenção aos sentidos que se atiçaram com o ocorrido. Somos como vidros e Deus é a luz. O vidro que não está manchado ou embaciado terá a luz traspassada por ele quase que por inteiro, se não por inteiro, e iluminará demasiadamente o interior. Posição 2259: “a alma já não fica tão humilde, crendo possuir um bem de certo valor e imaginando que Deus faz caso dela; anda contente e um tanto satisfeita de si mesma - o que é contra a humildade. Logo o demônio vai aumentando secretamente esta disposição, e começa disfarçadamente a sugerir-lhe pensamentos acerca do próximo, se os outros tem ou não essas coisas extraordinárias se são ou não levados por esse caminho; pensamentos contrários à santa simplicidade e solidão espiritual.” Reforço para o que escrevi no destaque anterior. Posição 3838: “uma pessoa que, na presença do rei, prestasse atenção aos servos, estimá-lo-ia em pouco, e quanto mais reparasse neles, menos importância daria ao mesmo rei. E embora não tivesse intenção formal e determinada de faltar à devida consideração para com ele, faltaria com as obras, pois a honra prestada aos servos seria tirada ao rei: não teria em mui alta conta a majestade real, pois na sua presença fazia caso dos servos. Assim faz a alma com seu Deus quando presta atenção às criaturas.” Tenho a acrescentar a este destaque que o que acontece com as pessoas que ficam reticentes em se aproximar dos ensinamentos a Igreja Católica é que elas prestam atenção demais nas criaturas e não dão atenção à Deus e aos santos e santas, estes últimos devendo ser meios para chegar ao fim, que sempre deve ser Jesus Cristo! Posição 4642: “estando apegadas em suas ações ao gosto e consolo, quando estes lhes faltam em suas obras e exercícios, desanimam e perdem a perseverança por não achar neles sabor.” Eis aqui um destaque perfeito para quem busca aplausos do mundo para as coisas que fazem e, quando não os recebe, “desanimam e perdem a perseverança por não achar [...] sabor”.

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    Juan de Yepes Álvarez

    João da Cruz, O.C.D. (em castelhano: Juan de la Cruz ) foi um místico, sacerdote e frade carmelita espanhol venerado como santo pelos católicos. Nascido em Fontiveros, em Castela a Velha, foi um dos mais importantes expoentes da Contrarreforma. Grande reformador da Ordem Carmelita, é considerado, juntamente com Santa Teresa de Ávila, o fundador dos Carmelitas Descalços. João também é conhecido por suas obras literárias e tanto sua poesia quanto suas investigações sobre o crescimento da alma são consideradas o ápice da literatura mística e se destacam entre as grandes obras da literatura espanhola. João da Cruz foi canonizado em 1726 por Bento XIII e é um dos Doutores da Igreja Católica.

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    Jaén, Espanha

    Juan de Yepes Álvarez