Não há coisa mais aterrorizante que um primeiro dia de aula numa escola nova, não é mesmo? Colegas que você não conhece, um terreno diferente e assustadores adultos que têm o poder de te dar ordens, tudo isso é apavorante... VOCÊ QUE PENSA! Lucy Snow se matricula por acidente em Hollow Fields, uma escola construída para formar... os cientistas malucos de amanhã! Deixe a matemática e o português de lado para aprender sobre Taxidermia e Robótica usando mecanismos de relógio. E que tal não ter Educação Física para ter aulas de como se assaltar um túmulo no cemitério? Não tem como ser pior, não é? Bom, tem, sim. A escola é controlada com mão de ferro pela Senhora Weaver, uma assustadora diretora que criou uma regra que lembra a Seleção Natural. Ao final de cada semana, o aluno com as piores notas é enviado para a detenção num misterioso moinho de vento. Ninguém sabeo que de terrível acontece por lá... pois nenhum aluno voltou do lugar até hoje! Lucy esperava uma escola tradicional, mas agora terá que aprender todos os macetes da ciência proibida se quiser sobreviver num colégio em que bonecas vestidas de enfermeira inspecionam os corredores, membros do corpo professores despencam no meio das aulas e onde você pode ser devorado por um trabalho escolar descontrolado.
Hollow Fields #03 (Hollow Fields #03) -
Madeleine Rosca
Edições (1)
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“Hollow Fields” é um mangá diferente, principalmente por não ser propriamente um mangá, no sentido territorial do termo: a história foi escrita pela autora australiana Madeleine Rosca, e chegou inclusive a ganhar um importante prêmio internacional de mangás promovido pelo ministério japonês, por conseguir captar o espírito do mangá sem se prender a temas e estereótipos da cultura nipônica, criando assim uma história fresca e original. A história narra as desventuras da pequena Lucy Snow que, ao pegar um atalho para a sua nova escola, acaba sem querer chegando em Hollow Fields, que nada mais é do que uma escola dedicada a formar os cientistas loucos de amanhã. Na escola aprende-se de tudo, menos o que você esperaria de uma escola normal: taxidermia, transplante interespécies, arrombamento de túmulos, construção de robôs assassinos, e por aí vai... Quando finalmente percebe a enrascada em que se meteu, Lucy já está matriculada e impedida por seu contrato de matrícula (e pelas sentinelas que vigiam a escola) de deixar os terrenos da instituição até que termine sua “educação”. Mas o pior ainda está por vir: baseada na regra da seleção natural, a tirana diretora e proprietária do local, a senhora Weaver, estipulou uma regra macabra: a cada semana, o aluno que obtiver as menores notas será mandado para a detenção em um misterioso moinho de vento localizado nos terrenos da escola...do qual nenhum aluno jamais retornou. Hostilizada pelos outros alunos e completamente deslocada em seu novo ambiente, Lucy terá que se virar como pode para aprender a lidar com as disciplinas malucas da escola, escapar do moinho e ainda descobrir os mistérios que rondam esta tresloucada escola. O mangá é uma obra steampunk, com máquinas a vapor e à corda por todos os lados – os próprios professores (chamados de “engenheiros” no mangá) possuem corpos biomecânicos movidos a vapor (e caindo aos pedaços). O clima geral da história lembra uma mistura de “As Crônicas de Nárnia” e “O Estranho Mundo de Jack”: apesar de carismáticas, todas as personagens são planas, mantendo as características principais de suas personalidades até o final. Um clima de aventura e descoberta permeia toda a obra, e todos os capítulos são construídos de modo a instigarem o leitor a ler as próximas partes da história o quanto antes. Há muitos elementos macabros na narrativa, mas são retratados de forma tão graciosa pelo belo (e singular) traço da autora que é realmente difícil você se sentir amedrontado ou impressionado por eles. A história certamente fará você lembrar muito mais de livros infanto-juvenis famosos (sim Harry Potter, estou olhando para você) do que de outros mangás. Mas isto não quer dizer que o mangá não seja original: apesar de compartilhar o mesmo “espírito” dos livros infanto-juvenis, a história e seus personagens são únicos e inesquecíveis. A narrativa é executada de forma ágil, porém sem deixar pontas soltas. No entanto a falta de desenvolvimento psicológico das personagens, somada ao clima mais infantil da história talvez não consiga conquistar por completo os leitores mais velhos. Apesar disso não se pode dizer que Hollow Fields é uma obra mal-executada: com um roteiro original, personagens encantadores e uma arte um tanto diferente da que estamos acostumados a ver, a obra tem tudo para cair no gosto dos leitores interessados em uma boa história de fantasia.
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