A Voz do Dono - Cinco mil anos de machismo e misoginia

    Tama Starr

    Ática
    1993
    205 páginas
    6h 50m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    5 mil anos de machismo e misoginia. Se a guerra entre os sexos não é tão velha quanto a raça humana, é pelo menos contemporânea do surgimento da escrita. Da biblia á filosofia de confuncio e Lao-Tse, de Aristóteles a Rabelais, de santo Inácio de Loyola a Charles Darwin, passando pela sabedoria popular de inúmeros povos, sem falar dos astros de hollywood ou do mundo do rock, este livro reune munição pesada que o homem tem empregado nessa batalha milenar. Ou, em outras palavras, compila as máximas universais que poderiam orientar uma teoria da inferioridade feminina.

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    Marcílio Duarte16/09/2025Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O que tem de provocadora, tem de necessária

    The Natural Inferiority of Women, traduzido para o português como Cinco Mil Anos de Machismo e Misoginia (bem melhor que o original), é uma obra provocadora, mas necessária. O livro é construído inteiramente a partir de citações históricas que revelam o pensamento misógino que permeou, e ainda permeia, diversas culturas, religiões e tradições intelectuais. Tama Starr organiza essas vozes em capítulos temáticos que expõem, sem filtros, como o patriarcado se sustentou por milênios através da demonização do feminino. A leitura é acessível em termos de linguagem. O conteúdo é pesado, e muitas vezes perturbador, especialmente quando aborda temas como violência, submissão e apologia ao estupro. Ainda assim, a obra cumpre um papel fundamental: escancarar o absurdo dessas ideias e provocar uma reflexão profunda sobre o quanto elas foram naturalizadas ao longo da história. Por ser um livro de citações, algumas falas podem estar fora de contexto (por exemplo, frases ditas por personagens, mas atribuídas diretamente aos autores). Claro, isso exige uma leitura atenta, embora não diminua o impacto da pesquisa, que é de grande valor para a reeducação dos homens e para o entendimento das raízes culturais da misoginia. É triste constatar que figuras admiradas, entre elas filósofos, cientistas, artistas, líderes religiosos, já contribuíram para a edificação desse discurso anti-feminino. Starr não os poupa, e ao reuni-los em sequência, convida o leitor a encarar o desconforto como parte do processo de desconstrução.

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