Quando ainda era novo, eu me lembro claramente de estar assistindo ao Jornal Hoje, estava passando uma reportagem do Luiz Fernando Silva Pinto, que era o correspondente em Nova York na época. Nessa reportagem eu me recordava apenas de um trecho: havia uma foto de uma moça loura dentro de um carro e alguém falando que era uma espiã da CIA, e o repórter seguia dizendo algo como “...arruinou sua carreira”.
Nunca entendi o porquê disto ter ficado na minha cabeça. E mesmo nunca tendo tentado saber o que de fato ocorreu, de um modo estranho eu sempre soube que um dia eu acabaria entendendo toda aquela situação.
Quando vi que a famosa loura que tinha aparecido na TV tinha lançado uma autobiografia, eu logo corri atrás pra conseguir a minha. E superou minhas expectativas. Descobri que ela era realmente uma agente secreta da CIA.
Seu marido, Joe Wilson, um ex-diplomata, fora enviado a Níger para fazer uma investigação com o intuito de saber se esse país estava vendendo material para o Iraque desenvolver armas de destruição em massa. Mas Joe não encontrou nada a esse respeito e assim fez um relatório à Casa Branca afirmando isso.
Mas o presidente, que não se deu por achado, precisava de desculpas para invadir o Iraque, e assim distorceu o relatório feito por Joe, que ficou indignado e resolveu contar a verdade para a mídia sobre o que ele realmente tinha encontrado na África. Porém, no emaranhado de intrigas políticas de Washington, Valerie Plame Wilson, uma funcionária de carreira da CIA, acabou sendo no final apenas um bode expiatório para as traquinagens de George Bush e os seus.
“Sem querer”, um membro do gabinete do vice presidente deixou “escapar “ para um repórter que a esposa de Joe Wilson – Valerie - era na verdade uma agente secreta da CIA. E então todo seu martírio começou.
Com muita coragem, Valerie decide contar como foi todo esse processo, desde sua formação na “Fazenda”, até depois que sua identidade fora revelada pela mídia, mas quando um ex-agente ou alguém ligado à Agência e decide publicar um livro, é obrigatório uma pré-avaliação por parte dela para se certificar de que nenhuma informação considerada confidencial seja publicada, e mesmo assim Valerie seguiu em frente. E muitos trechos foram censurados previamente.
Apesar de a CIA ter censurado muitas paginas do livro, dá pra se ler tranquilamente sem perder o foco. No final há um bonus track posfácio escrito pela jornalista Laura Rozen jogando luz sobre a maioria das partes censuradas. Pois a maior parte delas já havia sido divulgada amplamente pela imprensa.
Uma coisa é fato: se a pessoa não gostar de política, nem adianta tentar ler Jogo de Poder porque será uma tarefa difícil, mas, se assim como eu, você gostar de política, tenha a certeza que este é o livro certo pra você.