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    Macau -

    Paulo Henriques Britto

    Companhia das Letras
    2008
    80 páginas
    2h 40m
    ISBN-13: 9788535906943
    Português Brasileiro
    3.6
    65 avaliações
    Leram127Lendo3Querem43Relendo1Abandonos0Resenhas2
    Favoritos9Desejados43Avaliaram65

    O projeto poético de Paulo Henriques Britto ganha prosseguimento e renovação. Sua já conhecida predileção por formas fixas vem de novo acompanhada por imagens prosaicas e um bom humor folgado. O título do livro indica uma localização espacial ao mesmo tempo familiar e estrangeira: Macau é cidade chinesa onde se fala o português. O autor dialoga com a tradição modernista - principalmente com Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira e Mário de Andrade -, mas também com João Cabral de Melo Neto, como evidencia o poema "Fisiologia da composição". Ecos drummondianos podem ser sentidos em "Bagatela para a mão esquerda". Nesse poema, assim como em Trovar claro, seu livro anterior, o autor volta a fazer um elogio da mão gauche. Em sua fraqueza, a mão esquerda é aquela capaz de maior eloqüência. Novidade neste Macau é o forte acento biológico de certos poemas. O livro se abre com "Biodiversidade", composição que define a poesia como uma fala "esquisita" - "[...] palavras bestas estrebuchando inúteis, / cágados com as quatro patas viradas pro ar". A necessidade orgânica do ato criativo é indissociável do ritmo diário, pois "são as palavras que suportam o mundo", como registra "De vulgari eloquentia", outro poema do livro. A poesia revela-se, assim, tão vital quanto o repasto que atende à fome ou o líquido que aplaca a sede da existência.

    Resenhas (2)Ver mais
    Marcos Bassini picture
    Marcos Bassini09/03/2009Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Cicatrizes

    Se a prisão nos deixa marcas profundas, mesmo quando não pagamos por um crime, bastando-nos ler um romance ou um relato dos dias de cárcere, imagine quando a vivenciamos. Neste Macau de belíssima e inesquecível geografia, os versos livres de Paulo Henriques Britto exibem as cicatrizes da masmorra: rimas (escondidas, só não sabemos onde) e rigor matemático (disfarçado, com óculos e bigode) de uma poesia ancestral meticulosamente metrificada.

    2 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.6 / 65
    • 5 estrelas23%
    • 4 estrelas25%
    • 3 estrelas38%
    • 2 estrelas11%
    • 1 estrelas3%
    Paulo Fernando Henriques Britto  profile picture

    Paulo Fernando Henriques Britto

    Paulo Fernando Henriques Britto nasceu no Rio de Janeiro no dia 12 de dezembro de 1951. Residiu sempre no Rio de Janeiro, exceto nos períodos em que viveu nos Estados Unidos: de 1962 a 1964 em Washington, e em 1972 em Los Angeles, Califórnia, e de 1972 a 1973 em São Francisco, Califórnia. Foi durante este tempo que Paulo teve acesso ao inglês, língua da qual e para a qual ele traduz. É formado em Português e Inglês pela PUC-Rio, onde também obteve seu título de mestre em língua portuguesa. Em 1973 começou a trabalhar como professor num cursinho de inglês, transferindo-se em seguida para o IBEU (Instituto Brasil Estados-Unidos), onde trabalhou por cinco anos. Também deu aulas particulares de inglês nessa época. No ano de 1974, quando foi morar sozinho e arranjou seu primeiro emprego como professor num curso de inglês, Paulo começou a fazer traduções com o fim de complementar sua renda. Hoje, além de tradutor profissional, poeta e ensaísta, atua como professor nas áreas de tradução, criação literária e literatura brasileira na PUC-Rio, que lhe concedeu em 2002 o título de Notório Saber. Paulo H. Britto já traduziu cerca de 80 livros, além de uma grande quantidade de artigos, papers, entre outros; realizando traduções tanto nas direções inglês – português como português – inglês, tendo como suas principais traduções obras de Faulkner (2004), Byron (1989, reed. 2003), Bishop (2001), DeLillo (1999), Pynchon (1998), James (1994) e Stevens (1987). Prestigiado pelo seu trabalho não apenas como tradutor mas também como escritor, foi contemplado com diversos prêmios.

    9 Livros
    32 Seguidores
    Rio de Janeiro, Brasil

    Paulo Fernando Henriques Britto