Fabrício Carpinejar, escritor e jornalista brasileiro (gaúcho), é um dos grandes nomes da atualidade. Formado em jornalismo pela UFGRS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), onde se tornou mestre em literatura.
"Uma cidade
reparando a outra,
como o caranguejo
pinçando objetos
do afogado."
Publica com frequência suas crônicas na Zero Hora, que todos adoramos de ler. Sim, provavelmente é de lá que você conhece ele. Caixa de Sapatos foi sua primeira antologia, publicada em 2003 pela editora Companhia das Letras e foi a partir dela construindo sua fama e importância social.
"As solas do sol
pisavam os olhos.
(...)"
A antologia abrange suas quatro obras anteriores (e primeira escrita), contando com poemas dos livros "As solas do sol", "Um terno de pássaros ao sul", "Terceira sede" e "Biografia de uma árvore", todos cujos nomes saltam aos olhos, devido à abstração.
Para entendê-los, os notórios poemas nele inscritos, é preciso ir além do conhecimento da língua, partindo para a imaginação e a interpretação. Como eu sendo também poeta, temo que nem tudo tenha um exato significado. Ele se dá conforme construímos.
Em consonância com o vocabulário acessível, temos uma pitada de humor (e, talvez, até crítica) no início do livro, antes do sumário a seguinte frase: "A literatura não prestou para me entender". Frase que reconquistou minha afinidade com a escrita dele, que havia sido prejudicada com o Livro "Meu Filho, Minha Filha", onde só consegui identificar um poema cuja ideia me agradava. Uma obra imperdível a quem deseja iniciar no autor.