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    Hereges -

    G. K. Chesterton

    ecclesiae
    2011
    310 páginas
    10h 20m
    ISBN-13: 9788563160096
    Português Brasileiro
    4.4
    232 avaliações
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    Hereges é uma obra em que G.K. Chesterton (1874–1936) esboça a própria filosofia ao identificar os pontos fracos nas filosofias de seus contemporâneos. Um “herege”, explica, é “um homem cuja visão das coisas tem a audácia de diferir da minha”. Sua crítica não se limita à análise de autores específicos. Tem um sentido mais geral. Partindo da análise dos erros de um conjunto heterogêneo de escritores modernos, explica o que considera estar errado com o pensamento do mundo moderno. Publicado em 1905, Hereges abre caminho para Ortodoxia, que surge três anos depois. Ortodoxia apresenta a filosofia de Chesterton no que chama de “conjunto de imagens mentais”. Hereges traz um relato mais analítico das filosofias dos escritores de seu tempo. Isso foi algo provocador. Na biografia de Chesterton, Maisie Ward (1889–1975) comenta sobre a animosidade com que o livro foi recebido. Críticos que tinham boas coisas a dizer sobre os escritos anteriores de Chesterton a respeito de Robert Browning (1812–1889) ou Charles Dickens (1812–1870) ficaram irritados ao perceber que ele voltara a atenção crítica para o que considerava “erros dos autores contemporâneos”. A ideia central da filosofia chestertoniana está na importância do dogma. Numa era que celebrava o irracionalismo, Chesterton defendeu a razão. Ademais, insistiu que havia uma estreita ligação entre razão e religião. Como observou no capítulo final do livro, as verdades contestadas se transformam em dogmas. Por este ponto de vista, cada pensador é o fundador de um sistema filosófico que pode ser descrito como uma igreja. É por isso que num livro dedicado aos contemporâneos, Chesterton parece demonstrar pouco interesse nos traços pessoais ou nas fraquezas. Para ele, cada escritor era mais bem compreendido pelo exame do que chamava de “visão geral da existência” e, portanto, neste livro, um grupo de pensadores que quase não tinha interesse na religião formal é revelado como inconscientemente religioso. Desejo que esta primeira tradução de Hereges para a língua portuguesa complemente e aprofunde a compreensão do universo sacramental deste grande autor católico.

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    Marcos Junior31/07/2011Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O retrado do mundo de hoje. Escrito em 1905.

    Em 1905, G. K. Chesterton resolveu escrever um livro sobre os hereges. Heresia, para ele, era tudo que não estava de acordo com o próprio pensamento pois sua tese central é que nada é mais importante para o homem do que sua filosofia pessoal. O problema da modernidade começava com a equivocada tese de que as questões práticas de uma pessoa era mais importante do que ela acreditava. Chesterton inverte essa equação. Para ele, as questões do dia a dia, as decisões tomadas por cada pessoa, os governos, a política, a arte, as viagens, a guerra; tudo isso era insignificante diante da visão que temos do mundo, ou seja, de nossa filosofia pessoal, também chamada de religião. Esse conjunto de crenças pessoais, chamou de Ortodoxia e por causa disso, as crenças pessoais que estavam em desacordo com as suas chamou de heresias. Em Hereges, Chesterton apresenta escritores, políticos, poetas, artistas, enfim, vários criadores que em suas obras mostraram várias dessas heresias. Bernard Shaw, H. G. Wells, Kipling e tantos outros, muitos desconhecidos para um brasileiro do século XXI; não importa, são as heresias que dominam todo o livro. A partir de lugares comuns defendidos por esses homens, Chesterton os virava de cabeça para baixo e mostrava os paradoxos que se escondiam nessas crenças pessoais. Para ele, a essência de uma boa filosofia é o paradoxo e ninguém como ele foi capaz de revelá-los. Longe de criticar esses homens por suas idéias práticas, ele ia na filosofia primeira, no que uma pessoa precisava acreditar para expressar certas afirmações, que nada mais eram do que consequências lógicas a partir de certas premissas. E essas premissas eram heresias. Assim Chesterton mostra porque o homem que vive viajando conhece menos do mundo do que o que nunca saiu de sua aldeia; porque a idéia do relativismo é uma idéia absoluta; porque o vinho não deve ser bebido como remédio e sim por prazer; porque o paganismo nunca poderá ser uma evolução do cristianismo; porque um romancista ruim revela mais sobre os homens do que um bom romancista; porque a idéia de ajudar os pobres é antidemocrática; porque a família deve ser protegida por não ser pacífica, não ser agradável e não ser cordata. São tantas a idéias grandiosas que não há como resumi-las. Cada frase de Chesterton reune uma infinidade de idéias que se uma pessoa passar o ano inteiro lendo esse livro, uma frase por dia, saberá mais do mundo moderno do que passar 365 dias acompanhando o noticiário. Só para ter uma idéia, eu já vi muita refutação às ideologias, mas jamais vi alguém conseguir em uma única frase colocá-la na lata de lixo da história. Se as pessoas pensassem 30 segundos, seriamente, sobre o que Chesteton disse, não haveriam mais socialistas no mundo: "a fraqueza de todas as utopias é esta: tomam a maior dificuldade do homem e a supõem superável e, então, fazem uma descrição elaborada da superação das menores dificuldades". O livro de Chesterton é tão atual, até porque em muitos pontos preveu muitas coisas, e todas se realizaram, que não é difícil enxergar várias personagens do nosso mundo de hoje. E entender o que tem por trás de cada uma delas. Uma obra espetacular. Uma obra de gênio.

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    Gilbert Keith Chesterton

    Ensaísta, romancista, contista, teólogo, dramaturgo, jornalista, palestrante, biógrafo e crítico de arte e de política, é considerado um dos escritores mais influentes do século XX, muitas vezes referido como o "príncipe do paradoxo".

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    Londres, Inglaterra

    Gilbert Keith Chesterton