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    Histórias de Amor -

    Robert Walser

    Relógio d'Água
    2008
    248 páginas
    8h 16m
    ISBN-13: 9789727089994
    Português Brasileiro
    4
    4 avaliações
    Leram7Lendo0Querem20Relendo0Abandonos0Resenhas1
    Favoritos0Desejados20Avaliaram4

    Robert Walser escreveu cerca de mil narrativas curtas. Volker Michels, um profundo conhecedor da obra de walser, escolheu oitenta dessas narrativas que têm a ver com o amor e ordenou-as cronologicamente. No seu conjunto, estes textos evidenciam a grande variedade expressiva de Walser e o modo pouco convencional como encarava o erotismo e o amor. Robert walser revela um amplo amore mundi, que envolve as raparigas e os pássaros, as nuvens e as mulheres distantes, as flores e os campos e os enamorados que neles passeiam. Com alguns achados verbais insólitos e abundantes diminutivos, Walser capta aquilo que transforma a mente dos apaixonados num mundo perturbado e intenso. São histórias repletas de um humor corrosivo, que umas vezes põem em causa a hipocrisia moral, outras são irónicas imitações da literatura amorosa ou burlescas recriações dos sonhos da adolescência.

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    jota 11 picture
    jota 1111/04/2012Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O amor a la Walser

    Fernando Pessoa, através de seu heterônimo Álvaro de Campos, escreveu que todas as cartas de amor são ridículas; não seriam cartas de amor se não fossem ridículas. E as histórias de amor de Robert Walser, são ridículas? Não, de modo algum, são walserianas. Algumas delas, bastante curtas, parecem poemas, isso sim. E outras se assemelham a cartas de amor. Isso suposto, aqui são oitenta histórias (escritas entre 1904 e 1933) que podem caber em meia página ou até abranger cerca de quatro ou cinco delas, mas a maioria se contenta em ocupar uma página, uma página e meia. São histórias de amor que deram certo, não deram certo, acabaram bem, acabaram mal, duraram muito tempo ou apenas um dia, etc. O que todas têm em comum é que por trás delas está o estilo walseriano de contá-las. Como destaca o editor português, “com alguns achados verbais insólitos [Era uma vez uma Ela e um Ele e sabe Deus quantas mais personagens secundárias...] e abundantes diminutivos [Era uma vez uma rapariga que crescia num quartinho. O quartinho era simpático, a rapariga era bonita e engraçada. A casa (...) era uma casinha. O juízo da rapariga era apenas um juizinho; o seu coração, só um coraçãozinho; a sua esperança, não mais que do que uma esperançazinha, e o seu pé, um pezinho apenas.], Walser capta aquilo que transforma a mente dos apaixonados num mundo perturbado e intenso.” Mas também há histórias que propositalmente beiram o melodrama: “(...) são irônicas imitações da literatura amorosa ou burlescas recriações dos sonhos da adolescência.”, ainda segundo o mesmo editor. Não são apenas casais os protagonistas; há alguns triângulos amorosos e também uma cegonha e um porco-espinho que se apaixonam - e ela se distrai de sua tarefa de entregar criancinhas para suas mães. Há o vento que balança as copas das árvores, mas que é como se as folhas todas estivessem tagarelando entre si. E um dia muito bonito de céu azul pode ser assim tão belo quanto um bebê a sorrir nos braços da mãe. Enfim... O problema é que ler todas essas histórias em seguida pode cansar um pouco o leitor (meu caso), que no final acaba achando que todas elas, com poucas exceções, são muito parecidas entre si. É o caso daquelas em que o humor, a ironia ou os achados literários se encontram presentes em doses menos generosas, fazendo com que se consiga reter na memória apenas algumas lembranças das histórias mais saborosas. Mas é outro livro de Robert Walser que vale a pena conhecer. Mesmo que não seja tão bom quanto O Ajudante (a obra-prima de Walser), Jakob Von Gunten ou Os Irmãos Tanner. Lido entre 05 e 11.04.2012.

    1 curtida

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    Robert Walser

    Robert Walser foi lido e admirado por contemporâneos notáveis como Robert Musil, Thomas Mann, Hermann Hesse e, sobretudo, Franz Kafka, que se dizia decisivamente influenciado por sua obra. Diferentemente desses autores que o apreciavam, contudo, Walser não ganhou fama universal. Ele se tornou uma espécie de "escritor para escritores", o que não faz jus à sua obra sempre instigante e às vezes genial.

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    Robert Walser